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Conflito no Oriente Médio eleva custo do transporte para 95% das indústrias

Um conflito a milhares de quilômetros de distância está encarecendo o transporte de cargas dentro do Brasil e os números da Confederação Nacional da Indústria (CNI) deixam isso bem claro.


Segundo levantamento da entidade, 95% das empresas industriais registraram aumento nas despesas com frete, seguros e serviços logísticos no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao último trimestre de 2025. Desse total, 52% das empresas associam diretamente essa alta ao conflito no Oriente Médio.


Para quem gerencia frota, operação logística ou contratos de transporte, esse dado é mais do que estatística: é um alerta de que parte da pressão sobre o orçamento de 2026 vem de uma fonte que a empresa não controla e que provavelmente vai continuar pressionando custos nos próximos meses.


Quanto o conflito pesa nos custos logísticos


A pesquisa da CNI mostrou que, além dos 52% que associam a alta de custos ao conflito, outros 35% dos respondentes apontaram influência moderada da escalada das tensões sobre as despesas de transporte. Apenas 5% das empresas não veem relação entre o conflito e o aumento dos gastos.


A percepção é ainda mais forte entre empresas que operam no comércio internacional: 60% das exportadoras e 62% das importadoras afirmam que o conflito entre Estados Unidos e Irã influenciou diretamente os gastos logísticos. O Estreito de Ormuz é responsável por boa parte do escoamento global de petróleo, e qualquer impacto nesse fluxo gera um efeito cascata sobre outros insumos, como fertilizantes e plásticos, espalhando custo por toda a cadeia produtiva.


Nenhum modal escapou do encarecimento


O levantamento da CNI mostra que o impacto não ficou concentrado em um tipo de transporte específico. No transporte marítimo internacional, 54% das empresas relataram forte elevação de custos; no marítimo nacional, o índice foi de 40%. No transporte rodoviário nacional, o que mais interessa a quem opera frota no Brasil, 54% das empresas apontaram forte aumento dos custos, contra 42% no rodoviário internacional.


Esse dado reforça um ponto importante: mesmo operações que não cruzam fronteira nenhuma estão sentindo o efeito do conflito, porque o aumento no custo do petróleo se propaga para o diesel, os insumos e toda a estrutura de custo do frete rodoviário brasileiro.


Medidas do governo geram pouca confiança entre as empresas


A pesquisa também perguntou aos empresários sobre a efetividade das medidas do Governo Federal para conter os impactos do conflito no transporte. O resultado não é otimista: apenas 3% das empresas consideram que as ações serão efetivas. Mais da metade (54%) classifica as medidas como pouco eficazes, e 16% as consideram simplesmente ineficazes.


Por trás dessa desconfiança está também uma preocupação fiscal: os empresários temem que o governo não tenha capacidade de sustentar as medidas anunciadas no médio prazo, e que isso possa, inclusive, resultar em aumento da carga tributária.


Outros fatores que somam à pressão sobre os custos


O conflito no Oriente Médio não age isolado. A pesquisa identificou outros fatores que também contribuíram para o aumento dos custos de transporte no período: tributação sobre o setor (36%), fornecedores ou serviços logísticos (26%), fiscalização ou regulação do transporte (25%) e mão de obra (24%).


Em algum momento esse custo será repassado adiante na cadeia, com reflexo direto na inflação e no poder de compra do consumidor. Do lado das empresas, o efeito mais sensível é a perda de competitividade, especialmente para as indústrias exportadoras, que passam a competir com produtos mais caros frente a concorrentes de outros países.


Conflito no Oriente Médio eleva custo do transporte para 95% das indústrias

O que fica sob controle da gestão de frota


Diante de um cenário em que boa parte do aumento de custo vem de fatores externos e geopolíticos, fora do alcance de qualquer gestor, a pergunta certa não é "como evitar esse aumento", mas "onde ainda há margem para compensar". Alguns pontos seguem totalmente sob controle da operação:


  • Reduzir consumo de combustível através de monitoramento de comportamento de direção e rotas mais eficientes

  • Diminuir tempo de veículo parado e quilometragem improdutiva, que pesam tanto quanto o preço do diesel na conta final

  • Antecipar reajustes de frete com base em dados reais de custo operacional, em vez de reagir depois que a margem já foi comprometida

  • Priorizar manutenção preventiva, reduzindo paradas não planejadas que encarecem a operação justamente no pior momento

  • Usar dados de frota para negociar contratos e fretes com mais precisão, sabendo exatamente o custo real de cada rota


Quando o externo pressiona, o interno precisa compensar


O conflito no Oriente Médio é um lembrete de que parte do custo logístico está fora do controle de qualquer transportadora ou embarcadora. Mas é justamente nesse tipo de cenário que a eficiência interna da operação faz mais diferença, porque é ali que ainda existe margem de manobra.


A videotelemetria entra exatamente nesse ponto: transformando dados reais de rota, consumo e comportamento de direção em decisões que reduzem desperdício e protegem a margem, mesmo quando o cenário externo está fora de controle.

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