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MP prevê piso salarial de R$ 5 mil para motoristas de longa distância: o que muda para as frotas

A Medida Provisória 1.343/2026 acaba de trazer uma mudança importante para o transporte rodoviário de cargas no Brasil. Aprovada pela Câmara dos Deputados, a MP passou a prever a criação de um piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para motoristas profissionais empregados que atuam em operações de longa distância. O texto agora segue para análise do Senado.


Para gestores de frota, embarcadores e transportadoras, entender essa mudança com antecedência é essencial, afinal, ela impacta diretamente o planejamento de custos e a gestão de pessoal nos próximos meses.


O que diz a MP 1.343/26


Pelo texto aprovado, o piso de R$ 5 mil será destinado aos motoristas empregados que realizem operações de longa distância, assim definidas quando o profissional permanece fora da base da empresa, matriz, filial ou de sua própria residência por mais de 24 horas. A medida altera a Lei nº 13.103/2015, conhecida como Lei do Motorista.


Outro ponto relevante: acordos e convenções coletivas de trabalho precisarão respeitar esse piso nacional, sendo proibida a fixação de remuneração inferior ao valor estabelecido. A negociação de condições mais favoráveis aos trabalhadores continua permitida.


Vale destacar que essa proposta não fazia parte do texto original da MP, que tinha como objetivo principal reforçar a fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. O piso salarial foi incluído durante a tramitação na Câmara, junto com outras mudanças: novas regras sobre excesso de carga, penalidades para empresas reincidentes, ajustes na metodologia de cálculo do piso mínimo do frete e ampliação do Procargas.


Qual o próximo passo


Como medida provisória, o texto precisa ser votado pelo Senado até 16 de julho para não perder a validade. Se for aprovado sem alterações, segue direto para sanção presidencial. Ou seja, ainda há espaço para ajustes, mas o sinal para o setor já é claro: a remuneração dos motoristas de longa distância deve passar por uma reorganização nos próximos meses.


O que isso significa na prática para gestores de frota


Um piso salarial nacional tende a gerar impactos em cadeia:


Reorganização de custos com pessoal, especialmente para transportadoras que hoje pagam abaixo do valor proposto em algumas regiões ou operações.


Pressão por eficiência operacional, já que o aumento do custo fixo com motoristas torna ainda mais necessário reduzir desperdícios em outras frentes: combustível, manutenção, ociosidade de veículos.


Maior exigência de rastreabilidade nas jornadas, considerando que o piso está vinculado a operações de longa distância com critério objetivo de tempo fora da base.


MP prevê piso salarial de R$ 5 mil para motoristas de longa distância: o que muda para as frotas

Como a tecnologia ajuda a atravessar esse momento


Mudanças regulatórias como essa reforçam algo que defendemos: gestão de frota baseada em dados deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade. Com o aumento do custo fixo da operação, cada real gasto em combustível, manutenção corretiva ou tempo parado pesa mais no resultado final.


É aqui que a videotelemetria e a gestão de frotas mostram seu valor: permitem identificar padrões de condução que aumentam o consumo de combustível, antecipar manutenções antes que se tornem custos emergenciais, e dar visibilidade real sobre como o tempo de viagem está sendo utilizado, informação que se torna ainda mais relevante num cenário em que a remuneração está atrelada ao tempo de operação fora da base.


Não se trata de vigiar o motorista, mas de dar à gestão ferramentas para tomar decisões melhores, proteger o motorista no trânsito e tornar a operação mais sustentável financeiramente, justamente no momento em que a folha de pagamento do setor passa por um reajuste estrutural.


Fique atento às próximas etapas


A tramitação no Senado ainda vai definir os contornos finais dessa mudança. Enquanto isso, é o momento ideal para revisar a estrutura de custos da sua operação e identificar onde há espaço para ganhar eficiência sem comprometer a segurança ou a qualidade do serviço.

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