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As novas regras para a CNH: o que muda com as mudanças aprovadas pelo governo?

Em dezembro de 2025, o governo federal lançou o programa “CNH do Brasil”, um pacote de mudanças que mexe profundamente nas regras para tirar e renovar a Carteira Nacional de Habilitação. A promessa é clara: simplificar o processo, digitalizar etapas e reduzir o custo em até 80% para novos condutores.


A seguir, explicamos de forma simples o que muda e como isso impacta motoristas, empresas e o dia a dia nas estradas.


Quando as novas regras passam a valer?


A resolução do Contran que muda o processo de obtenção da CNH foi aprovada na primeira semana de dezembro e entrou em vigor a partir de 9 de dezembro de 2025, com publicação no Diário Oficial da União.


Segundo o Ministério dos Transportes, as mudanças já estão valendo em todo o país, incluindo: novo fluxo de formação, possibilidade de curso teórico gratuito, uso do aplicativo CNH do Brasil e fim da obrigatoriedade de autoescola.


Por que o governo mudou as regras?


Hoje, tirar a CNH pode custar até R$ 5 mil, o que torna o processo proibitivo para milhões de brasileiros. Estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas dirijam sem habilitação, principalmente por causa do custo e da burocracia.


Com o programa CNH do Brasil, o governo quer:


  • Reduzir o custo em até 80% no processo de habilitação;

  • Facilitar o acesso em cidades pequenas, onde muitas vezes não há autoescola;

  • Digitalizar etapas, usando aplicativo oficial para curso e acompanhamento do processo.


As principais mudanças na prática:


1. Curso teórico gratuito e digital


Antes, o curso teórico só podia ser feito em Centros de Formação de Condutores (CFCs) credenciados. Agora:


  • O aluno poderá fazer o curso em instituições de ensino regulares homologadas pelo órgão de trânsito;


  • Haverá curso online gratuito, oferecido pelo governo, com possibilidade de ensino a distância mais flexível;


  • O conteúdo será acessível pelo aplicativo CNH do Brasil ou por plataformas autorizadas.


Na prática, isso reduz deslocamentos, abre acesso em regiões sem CFC e diminui custos de formação.


2. Fim da obrigatoriedade de autoescola


Uma das mudanças mais polêmicas é o fim da obrigatoriedade de passar por autoescola para fazer a prova de direção.


Como fica:


  • O candidato pode se preparar com instrutores autônomos, desde que credenciados na Senatran;


  • A contratação pode ser direta ou por meio de plataformas digitais;


  • Autoescolas continuam existindo, mas deixam de ser o único caminho obrigatório.


Isso tende a abrir o mercado de formação de condutores e aumentar a concorrência, com impacto direto nos preços.


3. Aulas práticas mais flexíveis (e menos obrigatórias)


Outra mudança relevante está nas aulas práticas de direção:


  • O mínimo obrigatório cai de 20 horas para apenas 2 horas de treinamento prático formal;


  • O candidato poderá treinar em carro particular, desde que o veículo esteja sinalizado conforme as regras;


  • Deixa de ser obrigatória a utilização de carro com duplo comando de freio e embreagem para a fase de treinamento (aquele padrão de autoescola).


Apesar de as exigências mínimas caírem, a prova prática continua sendo rígida: o candidato só será aprovado se demonstrar domínio real do veículo.


4. Ordem das etapas será reorganizada


Hoje, o candidato precisa abrir o RENACH (registro no Detran) logo no começo do processo. Com a nova regra:


  • Ele poderá começar pelo curso teórico (inclusive online), antes de abrir o RENACH;


  • Depois, segue para exame psicológico, exame de aptidão física e mental, prova teórica e, só então, aulas práticas e exame de direção.


Isso reduz idas ao Detran e torna o processo mais organizado, digital e menos burocrático.


5. Fim do prazo de 12 meses para concluir o processo


Antes, o candidato tinha até 12 meses para concluir todo o processo de primeira habilitação. Com as novas regras:


  • Não há mais esse prazo fixo;


  • O processo só se encerra com a expedição da CNH ou Permissão para Dirigir, desistência ou inaptidão permanente;


  • O candidato pode avançar no próprio ritmo, sem perder tudo por não conseguir concluir em um ano.


  • Também foi criado o reteste gratuito: na primeira reprovação, o candidato terá direito a um novo exame sem pagar nova taxa.


6. Novo app “CNH do Brasil”


O antigo aplicativo Carteira Digital de Trânsito foi substituído pelo app CNH do Brasil, que passa a concentrar:


  • CNH digital;

  • Documentos do veículo;

  • Acesso ao curso teórico gratuito;

  • Acompanhamento das etapas do processo de habilitação;

  • Serviços de renovação e atualizações.


A CNH física passa a ser opcional, o motorista pode usar apenas a versão digital, sem custo adicional.


7. Redução dos custos dos exames


Além da formação em si, o governo anunciou redução no valor dos exames médicos e psicológicos, que fazem parte do processo de habilitação.


Segundo o Ministério dos Transportes, a meta é reduzir em até 40% o preço desses exames, ajudando a compor o corte global de até 80% no custo da CNH.


8. O que continua igual


Apesar da flexibilização, alguns pontos não mudam:


  • Provas teórica e prática continuam obrigatórias;

  • Exame médico e psicológico seguem previstos;

  • A biometria e presença física nos exames continuam exigidas;

  • O processo permanece sob fiscalização dos Detrans e da Senatran.


Ou seja: ficou mais barato e flexível para se preparar, mas a porta de entrada (as provas) continua com exigência de qualidade.


As novas regras para a CNH: o que muda com as mudanças aprovadas pelo governo?

O que isso significa para motoristas profissionais e empresas com frota?


Para quem atua com transporte de cargas, passageiros ou serviços, as mudanças trazem tanto oportunidades quanto pontos de atenção.


Possíveis benefícios


Mais motoristas habilitados: reduzir custo e burocracia pode tirar muita gente da informalidade, diminuindo o risco de condutores sem CNH na sua operação.


Programas internos de apoio: empresas podem ajudar colaboradores a tirar a CNH com menor investimento, especialmente categorias A e B.


Facilidade em cidades menores: onde não há autoescola, a possibilidade de ensino a distância e instrutor autônomo abre uma porta que antes não existia.


Pontos de atenção para frotistas


Qualidade da formação: com menos horas mínimas obrigatórias e mais liberdade, aumenta a responsabilidade do próprio candidato (e das empresas) em buscar formação séria.


Políticas internas: mais do que nunca, faz sentido ter critérios de contratação que vão além de “possui CNH” – como histórico de multas, prontuário e treinamentos complementares.


Treinamento contínuo: para motoristas profissionais, a empresa pode (e deve) ir além da formação básica exigida pelo governo, oferecendo treinamentos periódicos de direção defensiva, condução econômica e segurança.


E onde a gestão de frota entra nessa conversa?


Novas regras para CNH resolvem uma parte do problema: acesso ao documento. Mas, na prática, a segurança da operação depende de muito mais do que isso.


Com soluções de rastreamento, telemetria e videotelemetria, empresas conseguem:


  • Monitorar comportamento de condução (excesso de velocidade, frenagens bruscas, riscos recorrentes);


  • Identificar motoristas que precisam de treinamento adicional, mesmo já habilitados;


  • Reduzir acidentes, consumo de combustível e desgaste de veículo;


  • Fortalecer políticas internas de segurança e compliance, complementando o que a legislação exige.


Se você é gestor de frota, dono de transportadora ou distribuidora, esse é o momento de revisar suas políticas de contratação, treinamento e monitoramento de motoristas.


As regras da CNH ficaram mais flexíveis – mas, para quem responde por dezenas ou centenas de veículos, a palavra-chave continua sendo a mesma: controle responsável da operação.

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