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Corredor Logístico Sustentável: projeto da ANTT e ANTAQ quer integrar transporte no Brasil

A logística brasileira está começando a desenhar um novo capítulo: mais integrada entre modais, mais limpa e mais inteligente. Em dezembro de 2025, ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) assinaram uma cooperação para desenvolver um “Projeto Piloto de Corredor Logístico Sustentável de Transporte Multimodal”, o primeiro do tipo no país.


Na prática, isso significa testar um modelo de corredor que conecta rodovias, ferrovias e portos de forma coordenada, com foco em eficiência, sustentabilidade e tecnologia – e isso impacta diretamente caminhoneiros, transportadoras, embarcadores e operadores logísticos.


O que é um corredor logístico sustentável?


O projeto é descrito como um corredor inteligente, onde diferentes modais (rodoviário, ferroviário, aquaviário) são integrados para escoar cargas com:


  • Mais eficiência operacional (menos tempo, menos gargalos, menos custo logístico)


  • Menor emissão de poluentes, com incentivo a veículos mais limpos e soluções de eletromobilidade


  • Mais segurança viária, com ações coordenadas ao longo da rota


  • Impacto social positivo, beneficiando caminhoneiros e comunidades do entorno


Esse corredor será um “laboratório a céu aberto” para novas tecnologias, regras e modelos de operação – tudo em ambiente de sandbox regulatório, ou seja, com testes controlados e monitorados pelas agências.


Onde será o projeto-piloto?


O primeiro passo concreto desse plano está na BR-277, no Paraná, no trecho entre Curitiba e o Porto de Paranaguá, um dos principais canais de exportação de grãos do país.


Esse trecho será o coração do chamado Conexão Litoral, um projeto liderado pela concessionária EPR em parceria com ANTT, ANTAQ e a administração do Porto de Paranaguá.


Por que ali? Porque a região:


É um hub logístico nacional, conectando o porto a outras rodovias e ao Mercosul. Passa por uma área ambientalmente sensível da Mata Atlântica. Sofre com eventos climáticos e problemas de infraestrutura, exigindo soluções mais resilientes.


O que ANTT e ANTAQ querem com esse corredor?


Pelos documentos oficiais, o acordo entre as agências tem alguns objetivos bem claros:


  • Integrar modais de transporte

  • Aproximar rodovias e portos em um fluxo contínuo, com menos atrito entre “ponta rodoviária” e “ponta aquaviária”.

  • Facilitar a vida de quem precisa escoar grandes volumes com previsibilidade.

  • Reduzir impactos ambientais

  • Estruturar infraestrutura de eletromobilidade (pontos de recarga, suporte a veículos elétricos e híbridos).

  • Implementar gestão ambiental mais sofisticada ao longo do corredor.

  • Aumentar segurança e qualidade operacional

  • Integrar ações de segurança viária, sinalização e monitoramento.

  • Testar tecnologias para reduzir acidentes e melhorar a experiência do usuário na rodovia.

  • Estimular inovação e inclusão socioeconômica

  • Atrair embarcadores, operadores logísticos e multimodais para participar dos testes.

  • Promover desenvolvimento territorial sustentável nas regiões atravessadas pelo corredor.

Corredor Logístico Sustentável: projeto da ANTT e ANTAQ quer integrar transporte no Brasil

O que vai mudar na prática?


O projeto prevê um conjunto de frentes que, somadas, criam um “ecossistema de corredor sustentável”:


  • Infraestrutura verde

  • Eletropostos e soluções de apoio à transição energética no transporte de cargas.

  • Estudo de tecnologias de menor emissão e eficiência energética.

  • Gestão integrada de segurança

  • Ações coordenadas entre concessionária, agências e porto para segurança no trecho.

  • Possível uso ampliado de monitoramento, dados em tempo real e sistemas de alerta.

  • Uso intensivo de tecnologia


Visão de longo prazo


O projeto-piloto deve servir como modelo para outros corredores e concessões, ajudando a redesenhar a forma como o Brasil pensa sua infraestrutura de transporte.


Por que isso importa para caminhoneiros, transportadoras e embarcadores? Embora o projeto ainda esteja em fase piloto, ele aponta algumas tendências importantes para quem vive de transporte e logística:


1. Operação mais previsível e eficiente


Com modais melhor integrados, a tendência é:


  • Redução de filas e gargalos em acessos a portos e terminais

  • Melhor planejamento de janelas de carregamento e descarga

  • Menos tempo de veículo parado, mais giro de frota e melhor aproveitamento de ativos


Para quem é caminhoneiro ou transportadora que opera nesse eixo, isso pode significar mais viagens concluídas com a mesma estrutura.


2. Pressão (e oportunidade) em sustentabilidade


À medida que o corredor se posiciona como “sustentável”, empresas que operam nele podem ser estimuladas – ou até exigidas no futuro – a:


  • Controlar melhor suas emissões

  • Investir em tecnologia de gestão de frota, telemetria e videotelemetria

  • Adotar políticas internas de condução econômica e direção segura


Quem estiver um passo à frente, medindo e documentando indicadores (consumo, ociosidade, comportamento de condução, emissões estimadas), ganha vantagem competitiva.


3. Tecnologia como fator obrigatório na gestão de risco


Um corredor multimodal inteligente tende a conversar cada vez mais com:


  • Sistemas de rastreamento em tempo real

  • Plataformas de videotelemetria para segurança e evidência em ocorrências

  • Ferramentas de análise de dados de frota (rotas, tempos, eventos críticos)


Para frotistas, isso não é mais “nice to have”, é base de operação em um cenário de logística conectada.


O Brasil ainda é muito rodoviário – e isso explica o tamanho do desafio


Hoje, o Brasil ainda depende fortemente das estradas: o modal rodoviário responde por mais de 60% das cargas movimentadas – chegando perto de 95% quando se exclui o minério de ferro, que é majoritariamente ferroviário.

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Outros países de dimensão continental, como Estados Unidos e Canadá, distribuem melhor o uso entre rodovias, ferrovias e hidrovias. Aqui, a matriz de transporte mudou pouco nas últimas décadas, o que aumenta custos, emissões e vulnerabilidade a problemas em pontos críticos da malha.


É nesse contexto que o corredor logístico sustentável ganha relevância: ele é um passo prático para tirar a multimodalidade do discurso e levar para o asfalto, os trilhos e os portos.


Como empresas podem se preparar desde já?


Mesmo sendo um piloto, o movimento de ANTT e ANTAQ indica uma direção clara: logística mais integrada, sustentável e orientada a dados. Para quem gere frota, algumas ações fazem sentido desde já:


  • Profissionalizar a gestão de frota

  • Estruturar indicadores de utilização, consumo, manutenção e segurança.

  • Monitorar rotas estratégicas como a BR-277 e demais corredores de alto fluxo.

  • Investir em tecnologia embarcada

  • Rastreadores confiáveis, sensores e videotelemetria para aumentar controle e reduzir riscos.

  • Uso de dados para apoiar decisões de rota, jornada, paradas e manutenção.

  • Conectar ESG à operação real


Não basta ter discurso de sustentabilidade: é preciso medir, provar e melhorar continuamente. Projetos como esse corredor tendem a valorizar empresas que já têm uma gestão madura de frota.


Um corredor, muitos sinais de futuro


O corredor logístico sustentável ANTT–ANTAQ ainda está em fase de estruturação, mas já manda um recado claro para o mercado:


O futuro da logística no Brasil passa por integração de modais, uso intensivo de tecnologia e compromisso real com sustentabilidade.


Para caminhoneiros, transportadoras, operadores e embarcadores, isso significa que quem se organizar desde agora em termos de dados, controle e eficiência de frota vai surfar melhor essa transformação – em vez de apenas reagir a ela.


E você, gestor de frota: já está medindo o suficiente da sua operação para participar de um corredor verdadeiramente inteligente e sustentável quando ele chegar na sua rota?

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