Fim da taxa das blusinhas: o que muda para a logística brasileira
- Alisson Dias

- há 9 horas
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Em maio de 2026, o governo federal assinou a Medida Provisória 1.357/2026, zerando o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas dentro do Programa Remessa Conforme. A cobrança havia sido iniciada em agosto de 2024 e rendeu cerca de R$ 5 bilhões aos cofres do governo no ano passado. Agora, consumidores que compram em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress voltam a pagar apenas o ICMS estadual sobre essas compras.
O debate em torno da medida vai muito além do bolso do consumidor. Para o setor logístico brasileiro, o fim da taxa das blusinhas tem implicações concretas sobre volume de encomendas, capacidade operacional, distribuição, competitividade e os gestores de supply chain precisam entender o que está em jogo.
O que mudou com a taxa e o que muda agora
A taxa das blusinhas foi criada dentro do Programa Remessa Conforme, que em 2023 também abriu o mercado de desembaraço aduaneiro para empresas privadas de courier. Atualmente, 43 empresas de courier internacional possuem habilitação para atuar como portador de encomenda expressa no território nacional, incluindo DHL, FedEx, Cainiao e UPS. Esse conjunto de mudanças reconfigurou completamente a operação logística de encomendas internacionais no Brasil.
O impacto foi imediato e intenso. O total de compras internacionais realizadas pelos brasileiros caiu de 209,6 milhões em 2023 para 157,3 milhões em 2025. Os Correios sentiram essa queda de forma ainda mais acentuada: o volume de encomendas internacionais transportadas pela estatal caiu de cerca de 149 milhões de objetos entre janeiro e setembro de 2024 para aproximadamente 41 milhões no mesmo período de 2025.
Com o fim da taxa, a expectativa é de reversão expressiva desse cenário. Segundo dados da Receita Federal, o volume médio diário de encomendas importadas já cresceu cerca de 19% após a mudança na tributação, e a expectativa do setor é de queda média de até 17% nos preços pagos pelos brasileiros em sites internacionais. Mais compras significam mais pacotes e mais pressão sobre toda a cadeia logística que os processa.
Como os produtos chegam ao Brasil e quem opera esse fluxo
Para entender o impacto logístico da medida, é preciso conhecer como esse fluxo funciona. Para que produtos comprados em plataformas internacionais cheguem ao Brasil, as operações ocorrem principalmente pelo modal aéreo por meio de cross border. Trata-se de um processo que envolve consolidação de cargas no país de origem, transporte aéreo internacional, desembaraço aduaneiro no Brasil e distribuição de última milha até o consumidor final.
Cada etapa desse fluxo é gerida por operadores especializados. O aumento de volume gerado pelo fim da taxa pressiona aeroportos, centros de distribuição, operadores de courier e a rede de entrega final, ao mesmo tempo. E diferentemente do e-commerce doméstico, o cross border tem características próprias: alta fragmentação de volumes, encomendas de pequeno porte, rastreabilidade internacional e prazos de entrega que dependem de múltiplos agentes.
O impacto competitivo para o varejo nacional e para a logística doméstica
A extinção do imposto de 20% reacende um debate que o setor nunca encerrou completamente: a assimetria competitiva entre varejistas brasileiros e plataformas internacionais.
Para o setor logístico doméstico, o cenário tem dois lados. Por um lado, o aumento das importações pode significar mais demanda por serviços de última milha e distribuição, oportunidade para operadores que já atuam nesse segmento. Por outro, o crescimento das compras internacionais pode frear o crescimento do e-commerce nacional, reduzindo o volume de pedidos processados por fulfillment centers e transportadoras que atendem ao varejo brasileiro.
Gestores de operações logísticas ligados ao varejo de moda, eletrônicos e itens de baixo valor precisam avaliar com atenção o impacto sobre a demanda dos seus clientes e ajustar projeções de volume com esse novo cenário em mente.

O que sua empresa deve monitorar a partir de agora
O crescimento do volume de encomendas internacionais é o indicador mais imediato a acompanhar. Empresas que operam last mile, centros de distribuição ou serviços de consolidação de carga precisam revisar sua capacidade operacional diante de um aumento potencial de demanda que pode ser rápido e expressivo.
Para embarcadores e varejistas do mercado doméstico, a questão estratégica é diferente: como responder a uma concorrência que volta a ter um diferencial de preço ampliado? A resposta raramente está em preço, está em prazo de entrega, experiência de compra, confiabilidade e serviço pós-venda. Esses são atributos que plataformas internacionais ainda têm dificuldade em replicar no mercado brasileiro.
Vale também acompanhar a tramitação da medida provisória no Congresso. A MP ainda precisa ser aprovada para se converter em lei permanente e o debate político em torno do tema está longe de encerrado, com entidades do varejo e da indústria nacional pressionando por revisões.
Por fim, empresas que operam importações regulares, sejam de matérias-primas, insumos ou produtos acabados, devem avaliar se as mudanças no Programa Remessa Conforme abrem oportunidades para otimizar seus processos de internacionalização ou acesso a fornecedores globais.
O cenário logístico brasileiro muda rapidamente e as empresas que se adaptam com mais agilidade saem na frente. A Ali Sat está pronta para ajudar sua operação a navegar essas mudanças com inteligência e eficiência.




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