Frete do e-commerce: IPTC recomenda reajuste de 7,59% e reacende alerta de custos
- Felipe Vianna

- há 25 minutos
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O frete do e-commerce voltou ao centro do debate de custos logísticos. O IPTC (Instituto Paulista do Transporte de Carga) divulgou uma carta de recomendação orientando reajuste de 7,59% na tarifa de frete do transporte de e-commerce em todo o território nacional, a partir de 2 de março, considerando a defasagem apurada entre janeiro e dezembro de 2025.
Na prática, esse tipo de recomendação serve como um “termômetro” do setor: quando o custo real sobe (ou quando há defasagem acumulada), a operação começa a ficar insustentável se a tarifa não acompanha.
O que é o IPTC e por que esse reajuste importa
O IPTC produz indicadores e estudos para apoiar o setor de transporte de cargas, incluindo referências usadas para discussão e indexação de tabelas de frete. No caso do e-commerce, o instituto aponta que existe defasagem e recomenda correção para recompor perdas e variações de custos ao longo do período analisado.
Para quem vive a operação, o impacto é direto:
Transportadoras: reajuste é um mecanismo para manter margem mínima e capacidade de investimento (frota, tecnologia, segurança, qualidade).
E-commerces/embarcadores: reajuste afeta custo por pedido, margem, política de frete grátis e conversão.
Consumidor final: pressão no preço total do carrinho ou no prazo/modalidade de entrega.
De onde vem o 7,59%?
O índice final de 7,59% resulta de uma ponderação de custos com pesos específicos:
Diesel S10: variação -0,98% em 12 meses, peso 5% (impacto final -0,05%)
Gasolina comum: variação 1,14%, peso 26% (impacto final 0,30%)
Mão de obra (salários + diárias): variação 12,00%, peso 50% (impacto final 6,00%)
IPCA (custo de vida): variação 4,26%, peso 14% (impacto final 0,60%)
Selic: variação 15,00%, peso 5% (impacto final 0,75%)
Somando os pesos (100%), chega-se ao índice final de 7,59%.
O principal recado desse cálculo
Mesmo em um cenário onde o diesel não “puxa” sozinho o reajuste, mão de obra (50% do peso) e pressão financeira (Selic) explicam por que a tarifa tende a subir no e-commerce: é uma operação intensiva em pessoas, com alta exigência de nível de serviço.
Além do 7,59%: impacto tributário médio adicional
A matéria também aponta que acréscimos na ordem de 1,4% em média podem ser considerados por impactos de pautas tributárias e obrigações recentes, citando itens como aumento/ajustes de ICMS, novos campos em CT-e/NF-e, restrições de créditos, mudanças em tributos sobre combustíveis, maior fiscalização e reoneração da folha (20% sobre a folha).

O que transportadoras devem fazer agora (para reajustar sem perder cliente)
Mostre o racional: índice, período, e impacto por componente (principalmente mão de obra).
Evite “reajuste linear cego”: trate por perfil de operação (capitais, interior, mesma praça, interestadual).
Revisar tabela por faixas operacionais: peso/volumetria, regiões, SLA, tentativas de entrega, coleta reversa, áreas de risco. No e-commerce, dois clientes com “mesmo volume” podem custar completamente diferente.
Proteger a margem com processos:
reduzir reentrega (endereço, janela, comunicação)
reduzir ociosidade (fila/pátio/rotas ruins)
padronizar tratativa de exceções (avaria, extravio, atraso)
O que e-commerces e embarcadores devem fazer
Separar “frete” de “experiência de entrega”: quando o frete sobe, a tentação é cortar serviço. O risco é aumentar atraso, reclamação e devolução.
Rebalanceie:
frete grátis por ticket mínimo
frete subsidiado em categorias estratégicas
prazos diferentes por região (com promessa mais realista)
Auditar custo por pedido e por região
Crie um painel simples:
custo de frete / pedido
% reentrega
% devolução (logística reversa)
custo por falha (SLA, avaria, extravio)
Negociar com base em dados: se você consegue provar queda de reentrega e melhora de previsibilidade, você negocia melhor. Se negocia “no feeling”, vira só disputa de preço.
Onde a Ali Sat entra: previsibilidade operacional para reduzir o “custo invisível”
Em e-commerce, o custo raramente está só no km rodado. Ele aparece em reentregas, desvios e paradas fora do padrão, improdutividade por rota, sinistros e ocorrências, conflitos de evidência (“o motorista disse”, “o cliente disse”, “a base disse”).
Com rastreamento, regras de rota/parada e videotelemetria, dá para criar padrão e evidência operacional e isso se converte em:
menos exceções
menos custo por ocorrência
mais previsibilidade para cumprir SLA (sem “correr na rua”)
melhor gestão de performance por veículo/motorista/rota
Reajuste de frete não deveria ser uma briga anual, deveria ser consequência de uma conta transparente. Quando você coloca regra, evidência e previsibilidade na operação, o frete deixa de ser ‘achismo’ e vira engenharia. E quem trata logística como engenharia, cresce com margem e com reputação.




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