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O que influencia o preço do diesel em cada região do Brasil?

Se você gerencia uma frota, já percebeu na prática: o preço do diesel muda bastante de um estado para outro, e isso impacta diretamente o custo do frete e a margem da operação.


De acordo com o Mapa de Preços de Combustível da MundoLogística em parceria com o Gasola, com base em dados da ANP, o diesel comum apresentou recentemente média nacional em torno de R$ 6,07 por litro, mas com diferenças de quase R$ 2,00 entre o estado mais barato e o mais caro. Sergipe chegou a registrar cerca de R$ 5,69, enquanto o Acre passou de R$ 7,50 por litro.


Para entender por que isso acontece, precisamos olhar tanto para a formação do preço do diesel quanto para as particularidades de cada região do país.


1. Como é formado o preço do diesel no Brasil


O preço que aparece na bomba é a soma de vários componentes ao longo da cadeia:


Diesel A (refinado ou importado): É o diesel “puro”, produzido nas refinarias da Petrobras ou importado.


Seu valor é influenciado pelo preço do petróleo no mercado internacional e pela cotação do dólar, já que o petróleo é uma commodity global.


Mistura obrigatória de biodiesel (B15): O diesel vendido no posto é o chamado Diesel B, que contém hoje 15% de biodiesel.


O custo desse biodiesel (produção, matéria-prima, logística) entra diretamente no preço final do combustível.


Tributos federais e ICMS: Há tributos federais e o ICMS em regime monofásico, cobrado com valor fixo por litro definido nacionalmente (ad rem). Para o diesel, esse valor gira em torno de R$ 1,06 a R$ 1,12/litro nas tabelas mais recentes.


Margens de distribuição e revenda: Entre a refinaria e o posto, entram os custos e margens das distribuidoras e dos postos de combustível (aluguéis, folha, logística própria, risco de estoque etc.). Em alguns momentos, mesmo com redução do preço da Petrobras, o consumidor vê alta na bomba justamente por aumento dessas margens.


Custos logísticos até o posto: Transporte do combustível (rodoviário, ferroviário, hidroviário), armazenagem em bases, seguros, perdas e riscos também entram na conta.


Em resumo: mesmo antes de falar de “regiões do Brasil”, já temos um preço carregado de variáveis macroeconômicas, tributárias e de mercado.


2. Por que o preço varia tanto entre as regiões?


Agora vem a parte que mais interessa para quem roda o Brasil com caminhão: por que o diesel é mais barato em alguns estados e bem mais caro em outros?


Alguns fatores explicam essa diferença:


a) Distância de refinarias e terminais: Estados mais próximos de refinarias, terminais marítimos ou bases de distribuição tendem a ter custos logísticos menores para abastecer seus postos.


Regiões como o Sul e parte do Sudeste se beneficiam de uma infraestrutura mais densa de refino e distribuição, enquanto o Norte depende mais de longas rotas rodoviárias e hidroviárias, o que encarece o frete do próprio combustível.


b) Logística complexa no Norte e interior do país


  • Trechos longos em rodovias de baixa qualidade;

  • Dependência de embarcações e transbordos;

  • Menos opções de rotas e fornecedores.


Isso tudo aumenta o custo até o posto e, naturalmente, o preço na bomba. Não é à toa que levantamentos recentes mostram Norte liderando os maiores preços médios de diesel, enquanto o Sul aparece com as menores médias do país em vários meses analisados.


c) Estrutura concorrencial (ou falta dela): Em capitais e regiões metropolitanas com muitos postos e distribuidoras, a concorrência tende a pressionar as margens para baixo. Já em cidades menores, com poucos postos e menos volume, o espaço para competição é reduzido – o que pode manter o preço mais alto.


d) Diferenças de demanda e perfil de consumo: Regiões com alto volume de transporte de cargas, agronegócio forte ou grande concentração industrial podem:


  • Ter maior consumo de diesel S-10 (mais caro, mas exigido para veículos mais novos);


  • Trabalhar com contratos corporativos e grandes volumes, o que altera a dinâmica de preços médios.


e) Impostos e políticas locais: Embora o ICMS do diesel tenha migrado para um modelo monofásico nacional, com valor fixo por litro, alguns estados ainda possuem diferenças em:


  • Tratamento de créditos de ICMS para transportadoras;

  • Taxas e encargos adicionais sobre combustíveis e circulação;

  • Políticas locais que influenciam custos de operação de postos e bases.


Na prática: o “miolo” do imposto é padronizado, mas o ambiente tributário e regulatório local ainda pode gerar distorções entre estados.


O que influencia o preço do diesel em cada região do Brasil?

3. Um retrato recente das diferenças regionais


Os levantamentos de MundoLogística e Gasola, usando dados da ANP, mostram claramente essa desigualdade de preços:


Média nacional do diesel comum na casa de R$ 6,07.


Estados mais baratos: exemplos no Nordeste (como Sergipe e Paraíba) e Sul, com valores próximos ou abaixo de R$ 5,80–R$ 6,00 por litro em diversos períodos.


Estados mais caros: destaque constante para o Acre e parte da região Norte, com preços acima de R$ 7,50 em alguns meses.


Essa diferença de quase R$ 2,00 por litro entre um ponto e outro do país é gigantesca para uma frota que roda milhares de quilômetros todos os meses.


4. O que isso muda na gestão de frotas?


Saber que o diesel varia por região não é só curiosidade, é estratégia de negócio. Para quem é frotista, transportadora ou embarcador, isso influencia diretamente em:


a) Planejamento de rotas e pontos de abastecimento


  • Ajustar rotas para abastecer em estados e regiões com diesel mais barato, quando operacionalmente viável;


  • Evitar abastecer “até a boca” em regiões sabidamente mais caras, mantendo apenas o necessário para chegar a áreas mais competitivas.


  • Ferramentas como o Mapa de Preços de Combustível permitem acompanhar, quase em tempo real, o preço médio por estado, ajudando a tomar essas decisões com base em dado, não em “achismo”.


b) Formação de preço de frete


Se você atua com frete rodoviário, o diesel representa aproximadamente 35% do custo do transporte, ou mais, dependendo do perfil da operação.


  • Ao negociar fretes interestaduais, é essencial considerar o mix de regiões caras e baratas que sua frota percorre;


  • Rotas com maior peso em regiões de diesel caro precisam de frete reajustado, senão a margem some.


c) Negociação com clientes e revisão de contratos


Com dados em mãos, fica mais fácil:


  • Demonstrar para o cliente a realidade de custos por região;


  • Justificar reajustes com base em fontes independentes (ANP, índices de preço, mapas de combustível);


  • Estruturar cláusulas de gatilho de reajuste atreladas à variação do diesel.


d) Tecnologia embarcada e controle fino de consumo


Além de escolher onde abastecer, é crucial controlar quanto sua frota consome em cada trecho.


  • Soluções de telemetria e rastreamento permitem acompanhar consumo por veículo, rota, motorista e carga;


  • Você consegue identificar excessos de marcha lenta, desvios de rota, condução agressiva e fraudes em abastecimento;


Com isso, reduz o impacto dos preços regionais, porque cada litro passa a render mais quilômetros.


5. Como transformar essa informação em vantagem competitiva


Em um cenário onde o preço do diesel muda tanto entre regiões e estados, as empresas que vão sair na frente são as que:


  • Acompanham os dados oficiais com disciplina (ANP, mapas de preço, índices setoriais);


  • Planejam rotas e abastecimentos com inteligência, e não apenas pela rota “mais rápida” no mapa;


  • Conectam tecnologia de gestão de frota (rastreamento, telemetria, dashboards) aos dados de combustível por região;


  • Revisam contratos e tabelas de frete à luz dessa realidade, em vez de trabalhar com um valor de diesel “médio” que não existe na prática.


No fim das contas, o diesel não é só um custo inevitável: ele pode ser um diferencial competitivo para quem sabe onde, quanto e como abastecer.


Na Ali Sat, a nossa visão é justamente essa: ajudar a transformar dados de rota, combustível e comportamento da frota em decisões mais inteligentes, que protegem o caixa da empresa e mantêm sua operação competitiva, não importa em qual região do Brasil seus caminhões estejam rodando.

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