Vale-pedágio obrigatório movimenta bilhões e as multas seguem em alta
- Lidiane de Jesus

- 23 de mar.
- 3 min de leitura
O Vale-Pedágio Obrigatório (VPO) já virou parte do “arroz com feijão” do transporte rodoviário de cargas e os números mostram o tamanho desse mercado. Entre abril de 2025 e o início de março de 2026, foram registrados 21.829.151 vales-pedágio emitidos, somando R$ 7.145.289.762,77 em emissões.
Ao mesmo tempo, a fiscalização mostra que ainda existe muita irregularidade: desde 2018 até 10 de março de 2026, a ANTT contabilizou 244,8 mil autos de infração relacionados ao vale-pedágio, distribuídos em 330 municípios.
O sistema está maduro, digital e gigante, mas quem trata o VPO como “detalhe do frete” continua correndo risco real de multa, retrabalho e conflito comercial.
O que é o Vale-Pedágio Obrigatório e por que ele existe
O VPO foi criado para garantir que o custo do pedágio não recaia sobre o transportador. Pela Lei nº 10.209/2001, o embarcador/contratante do frete deve antecipar o valor necessário para a viagem (da origem ao destino), antes do início do transporte.
A ANTT reforça que essa antecipação deve ser feita apenas por modelos habilitados (não pode “embutir no frete” nem pagar em espécie).
O que mudou de vez: fim do vale-pedágio físico e operação 100% eletrônica
Desde 2025, o sistema passou por uma virada importante: cartões e cupons foram descontinuados e o pagamento passou a ser aceito somente por TAGs/sistemas eletrônicos, conforme orientação pública da ANTT.
Esse ponto aumentou o controle, mas também aumentou a chance de autuação quando a empresa: não emite corretamente, emite fora do prazo, emite com rota/placa/categoria divergentes ou não consegue comprovar a antecipação do VPO no embarque.

Quais são as multas e quem pode ser penalizado
A fiscalização do VPO e as penalidades estão amarradas à Resolução ANTT nº 6.024/2023.
Na prática, os principais riscos são:
1) Contratante que não antecipa o VPO
Se não ficar comprovada a antecipação do vale-pedágio até o momento do embarque, a penalidade destacada é de R$ 3.000 por veículo e por viagem.
2) Fornecedoras e concessionárias quando descumprem obrigações
Há previsões de multas para descumprimentos diversos, podendo variar (conforme enquadramento) de R$ 550 por dia até R$ 10,5 mil por ocorrência.
E a ANTT também informa penalidade de R$ 5.000 por dia para concessionária que não aceitar modelos habilitados de VPO.
Por que ainda tem tanta multa, mesmo com o sistema eletrônico
Na prática, as autuações costumam nascer de três “pontos cegos”:
VPO tratado como “parte do frete”: quando o comercial fecha “um valor total” e alguém tenta resolver pedágio depois, o risco de falha aumenta.
Erros de cadastro/parametrização: categoria do veículo, rota, praças, placa, data/hora e vínculo com o documento da operação, pequenos erros viram não conformidade.
Falta de evidência e rotina de auditoria: muita empresa descobre o problema tarde, quando já virou autuação (e aí vira discussão interna e com o cliente).
Como se blindar: checklist simples
1) Regra de ouro: VPO é “antes de sair”, não “depois”
Crie processo que impeça a viagem de iniciar sem: VPO emitido, rota validada e comprovante/registro acessível para conferência.
2) Padronize um “pré-check” operacional
Antes do embarque: rota e praças estimadas (origem → destino), categoria correta do veículo, TAG ativa e homologada e registro interno do VPO vinculado ao CTe/contrato/ordem.
3) Faça auditoria amostral semanal
Pegue uma amostra das viagens e verifique: VPO emitido dentro do prazo, valor compatível com rota, consistência de dados.
Isso reduz “surpresa” e corrige o processo enquanto ainda é barato.
4) Treine comercial + operação com o mesmo padrão
VPO não é “do financeiro”, nem “do motorista”. É governança entre: quem vende, quem programa e quem roda.
Onde a Ali Sat entra: evidência operacional e previsibilidade para reduzir retrabalho e conflito
Em muitas empresas, a multa não nasce só do VPO em si, nasce do descontrole operacional: rota improvisada, paradas fora do padrão, divergência de execução, falta de rastreabilidade.
Os números deixam claro: o vale-pedágio já é um sistema grande, eletrônico e consolidado, mas a quantidade de autos de infração mostra que muita empresa ainda trata o VPO como “detalhe operacional”. E é aí que mora o risco: o erro raramente é intenção, geralmente é processo mal amarrado.
A forma mais inteligente de evitar multa não é “criar burocracia”, e sim criar padrão: regra clara de emissão antes do embarque, conferência simples por viagem, auditoria amostral semanal e rastreabilidade de tudo que foi feito. Quando isso vira rotina, o vale-pedágio deixa de ser uma dor recorrente e passa a ser só mais uma etapa controlada da operação.
No fim, a lógica é a mesma de qualquer gestão de frota madura: quem opera com previsibilidade gasta menos, discute menos e entrega mais, e não fica refém de autuação, retrabalho e surpresa no caixa.




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