top of page

44% das mortes nas rodovias em 2025 envolveram veículos de carga

Os números são difíceis de ignorar e precisam ser ditos com clareza.


Em 2025, o Brasil registrou 72.476 acidentes em rodovias federais, 83.490 feridos e 6.040 mortes, gerando um custo superior a R$ 16 bilhões. Mais de 20% dos acidentes e 44% das mortes nas estradas envolveram veículos de carga.


Veículos de carga representam uma pequena fração da frota total de veículos em circulação no país, mas respondem por quase metade das vidas perdidas nas rodovias. Esse descompasso não é acidente. É o resultado de uma combinação de fatores que o setor conhece bem, mas que ainda enfrenta com ferramentas insuficientes em grande parte das operações.


Maio é o mês da segurança no trânsito, o Maio Amarelo. Mas a prevenção de acidentes no transporte de cargas não pode ser pauta de um mês: ela precisa ser parte da gestão diária de toda empresa que coloca veículos na estrada.


O peso do transporte de cargas nas estatísticas de sinistros


O "Mapa de Acidentes no Transporte de Cargas 2025", realizado pela nstech com base em dados das gerenciadoras, aponta que colisões seguem como o principal tipo de ocorrência, com trajetória de alta de mais de 5%. Tombamentos cresceram 9,5%, e a região Sudeste ampliou a liderança em registros de acidentes no transporte de cargas, aumentando em 12% as ocorrências e consolidando-se como o principal epicentro de risco no país. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro lideram o ranking.


Para gestores de frota que operam nessa região, especialmente transportadoras e distribuidoras com rotas nas principais rodovias do Sudeste, esse dado não é apenas estatística. É um alerta direto sobre o ambiente de risco em que seus motoristas e veículos operam todos os dias.


O custo financeiro reforça a dimensão do problema: a CNT estima que, em 2024, os custos com acidentes e mortes nas rodovias federais envolvendo veículos de carga chegaram a R$ 5,1 bilhões, mais de quatro vezes o prejuízo causado por roubos de carga no mesmo período, estimado em R$ 1,2 bilhão. Acidentes custam mais que roubos e ainda assim recebem menos atenção nas estratégias de gestão de risco de muitas empresas.


As causas por trás dos números


Entender por que os acidentes com veículos de carga têm índice de mortalidade tão elevado é o primeiro passo para agir de forma eficaz.


Fadiga e sono ao volante: um estudo da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego apontou que 42% dos acidentes entre motoristas estão relacionados ao sono e 18% ocorrem por fadiga, indicadores ainda mais comuns entre caminhoneiros autônomos.

Jornadas longas, pressão por prazos e falta de controle sobre os intervalos de descanso criam uma combinação perigosa que se repete nas estradas brasileiras todos os dias.


Comportamento de risco ao volante: excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas, uso de celular e distração ao volante são fatores que aparecem consistentemente nas análises de causas de acidentes com veículos de carga. São comportamentos que, em grande parte das frotas, ainda são invisíveis para o gestor, descobertos apenas quando o acidente já aconteceu.


Falta de monitoramento em tempo real: sem visibilidade sobre o que acontece dentro e fora do veículo durante a viagem, o gestor de frota opera no escuro. Qualquer intervenção preventiva, contato com o motorista, redirecionamento de rota, alerta sobre comportamento de risco, depende de informação que simplesmente não existe sem tecnologia embarcada.


O impacto para além do acidente: custo, responsabilidade e reputação


Para transportadoras e distribuidoras, um acidente com veículo de carga raramente se limita ao evento em si. As consequências se desdobram em múltiplas frentes.


Do ponto de vista financeiro: conserto ou perda total do veículo, franquia de seguro, aumento de prêmio, parada operacional, perda de carga e eventual indenização a terceiros. Em acidentes com vítimas, o passivo jurídico pode se estender por anos.


Do ponto de vista regulatório: desde julho de 2025, a ANTT exige que transportadores rodoviários de carga tenham seguro de Responsabilidade Civil de Veículo para cobrir danos causados a terceiros. Sem essa comprovação, o transportador pode ter suspenso o seu RNTRC.


Do ponto de vista humano: que é o mais importante! Um acidente grave pode tirar da operação, de forma definitiva, um profissional que a empresa levou anos para desenvolver. Em um mercado onde motoristas qualificados são cada vez mais escassos, essa perda vai muito além do custo imediato.


44% das mortes nas rodovias em 2025 envolveram veículos de carga

Como a tecnologia de monitoramento reduz acidentes na prática


A prevenção de acidentes em frotas de transporte não depende de sorte, depende de dado. E a tecnologia disponível hoje permite ao gestor ter acesso, em tempo real, às informações que fazem a diferença entre uma viagem segura e uma ocorrência.


Detecção de fadiga e distração


Câmeras embarcadas com tecnologia de videotelemetria monitoram o padrão de olhar e piscadas do motorista, identificando sinais precoces de fadiga ao volante. Quando um evento de risco é detectado, o sistema emite alerta sonoro imediato para o motorista e notificação simultânea para o gestor na plataforma. A intervenção acontece antes do acidente, não depois.


Monitoramento de comportamento em tempo real


Excesso de velocidade, freadas bruscas, aceleração agressiva, saída de faixa e uso de celular são captados pelos sensores e câmeras da plataforma a cada viagem. Com score de condução por motorista, o gestor identifica padrões de risco e direciona treinamentos específicos, transformando dado em prevenção concreta.


Histórico para proteção jurídica


Em caso de acidente, o vídeo embarcado registra o que realmente aconteceu, dentro e fora do veículo. Essa evidência protege a empresa e o motorista em disputas de culpa, reduz o risco de indenizações indevidas e agiliza o acionamento do seguro com informações precisas.


Controle de jornada e alertas de descanso


Integrado ao rastreamento, o controle de jornada ajuda a garantir que os intervalos de descanso previstos em lei sejam cumpridos, reduzindo a exposição ao risco de fadiga nas longas distâncias.


Segurança não é custo: é gestão


Em um país onde o transporte rodoviário é predominante, a segurança nas estradas deixa de ser apenas uma preocupação operacional e se consolida como um elemento estratégico de eficiência, competitividade e gestão de riscos no setor.


Empresas que investem em monitoramento de motoristas e videotelemetria não estão apenas cumprindo uma obrigação moral com seus profissionais, estão protegendo ativos, reduzindo custos operacionais reais e construindo uma operação mais previsível e competitiva.


Cada acidente evitado é uma vida preservada. É também um veículo que continua operando, um motorista que continua trabalhando e uma empresa que fecha o mês sem um passivo inesperado.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page