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Ameaça de greve dos caminhoneiros reacende alerta no transporte rodoviário

A possibilidade de uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros voltou a ganhar força nos bastidores do transporte rodoviário de cargas. O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, afirmou que a categoria pode entrar em greve caso o Senado não aprove a Medida Provisória nº 1.343/2026 até o dia 16 de julho.


Segundo Landim, os caminhoneiros estão hoje "mais organizados do que em 2018", ano da histórica greve que paralisou o país por quase duas semanas. Ele estimou que cerca de 60% da categoria apoiaria uma nova mobilização caso a MP perca a validade, embora não tenha detalhado quando ou como uma eventual paralisação seria organizada.


O que está em jogo com a MP do Piso do Frete


A Medida Provisória 1.343/2026 foi publicada pelo Governo Federal em março deste ano com o objetivo de reforçar o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas. Entre as principais mudanças está a obrigatoriedade do registro de todas as operações via CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte), que passou a funcionar como instrumento de rastreabilidade e fiscalização do pagamento do piso estabelecido pela ANTT. As novas regras operacionais do CIOT já estão em vigor desde maio, com regulamentação específica publicada pela agência reguladora.


Em junho, a Câmara dos Deputados aprovou a MP na forma de um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Zé Trovão (PL-SC). O texto manteve o reforço da fiscalização do piso do frete, mas também incorporou outros temas sensíveis ao setor, como a anistia de multas relacionadas aos protestos de caminhoneiros após as eleições de 2022, mudanças nas regras sobre excesso de carga e alterações na metodologia de cálculo do piso mínimo.


A medida também endurece as penalidades para empresas que pagarem valores abaixo do piso: em caso de reincidência, as multas podem variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão, com possibilidade de suspensão temporária e até cancelamento do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC).


O prazo que pode definir os próximos passos do setor


Para continuar produzindo efeitos, a MP precisa ser votada pelo plenário do Senado até 16 de julho. Até o momento, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, ainda não havia incluído a matéria na pauta de votações e o início do recesso parlamentar, previsto para 18 de julho, aumenta a pressão em torno do tema. Caso o prazo não seja cumprido, a medida perde a validade, o que, segundo a Abrava, eleva significativamente o risco de uma nova paralisação nacional.


Ameaça de greve dos caminhoneiros reacende alerta no transporte rodoviário

Como o setor de transporte pode se preparar para cenários de instabilidade


Independentemente do desfecho da votação, episódios como esse reforçam um ponto central para transportadoras, embarcadoras e gestores de frota: a necessidade de operações resilientes e bem informadas diante de cenários de instabilidade regulatória e operacional. Greves, bloqueios e paralisações têm impacto direto sobre prazos de entrega, segurança de cargas e continuidade do negócio.

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