Crescimento da demanda por alimentos e o peso da logística para o agro brasileiro
- Alisson Dias

- há 5 dias
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A demanda por alimentos no mundo só tende a crescer e o Brasil está no centro desse cenário. Ao mesmo tempo, isso coloca uma pressão gigantesca sobre a logística do agronegócio, especialmente sobre quem faz o transporte rodoviário de cargas.
Segundo estimativas da FAO, a produção mundial de alimentos terá que crescer entre 60% e 70% até 2050 para atender uma população projetada em 9,7 bilhões de pessoas.
E o Brasil é protagonista: o país pode responder por até 40% do aumento necessário da produção global de alimentos, apoiado por disponibilidade de terras, tecnologia e sistemas integrados de lavoura-pecuária-floresta, que já ocupam cerca de 17 milhões de hectares.
Isso é uma excelente notícia para o agro, mas também um enorme desafio logístico.
Produção recorde, ajuste em 2026 e demanda logística continua alta
De acordo com o IBGE, a safra brasileira de grãos de 2025 atingiu 346,1 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica iniciada em 1975. Soja, milho, algodão, sorgo e café canephora bateram recordes.
Para 2026, a projeção é de 339,8 milhões de toneladas, uma leve redução de 1,8% em relação ao recorde anterior, ainda assim, um patamar extremamente elevado de produção, que mantém a demanda por transporte, armazenagem e escoamento em níveis muito altos.
Ou seja: mesmo com um pequeno ajuste de safra, o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) continua sendo peça central para manter o agro brasileiro competitivo.
Onde está o gargalo? Estradas, armazenagem e matriz logística desequilibrada
1. Dependência excessiva do transporte rodoviário: mais de 65% dos grãos produzidos no país são escoados por rodovias, segundo o EsalqLog/USP. As ferrovias respondem por cerca de 22% e as hidrovias por apenas 9%.
Isso significa:
maior custo logístico por tonelada transportada;
maior exposição a acidentes e interrupções;
congestionamento em corredores específicos (acessos a portos, terminais e polos de armazenagem).
Um estudo da nstech, citado na reportagem, mostra que essa ineficiência faz com que cerca de 70 mil caminhões sejam usados a mais do que o necessário para escoar a safra brasileira, resultado direto de filas, esperas, retornos vazios e má utilização da frota.
2. Armazenagem insuficiente: o Brasil consegue armazenar apenas entre 60% e 70% da produção de grãos, enquanto os Estados Unidos chegam a 150%. Além disso, 61% dos produtores brasileiros não têm estrutura própria de armazenagem.
O efeito disso na logística é imediato:
pressão enorme sobre o transporte no pico da safra;
corrida para retirar a produção do campo o mais rápido possível;
frete mais caro e perda de poder de barganha do produtor.
3. Investimento em infraestrutura aquém da necessidade: para atender à demanda global de alimentos e garantir segurança alimentar, estimativas indicam que serão necessários cerca de US$ 2,7 trilhões por ano até 2030 em investimentos logísticos no mundo. No Brasil, porém, o investimento em infraestrutura de transporte é de apenas 0,5% do PIB atualmente.
Enquanto isso, as perdas globais de alimentos entre a fazenda e o consumidor chegam a 14% da produção, principalmente por falhas de transporte e armazenagem, problema que o Brasil sente de forma direta na cadeia do agro.

O que tudo isso significa para transportadoras e frotas que atendem o agro
Na prática, para quem vive com caminhão na estrada, esse cenário traz alguns desafios bem concretos:
> Picos de demanda concentrados em períodos curtos (safra), forçando operação no limite;
> Filas em armazéns, portos e terminais, aumentando tempo de ciclo e custo por viagem;
> Necessidade de planejar janelas de coleta e entrega com precisão, sob risco de perder carga ou prazo;
> Pressão constante por frete competitivo, mesmo com custos altos de diesel, manutenção e pedágios;
> Exigência crescente de visibilidade em tempo real da operação por parte de tradings, cooperativas e grandes agroindústrias.
Nesse contexto, gestão de frota profissional deixa de ser diferencial e vira condição básica de sobrevivência.
Como a gestão inteligente de frotas ajuda a enfrentar o “apagão logístico” do agro
Se não é possível, do lado da empresa, acelerar sozinho obras de ferrovia, rodovia ou armazém, é possível tornar a operação muito mais eficiente usando tecnologia e dados.
Alguns caminhos práticos:
1. Planejar a safra com base em dados históricos, com um sistema robusto de rastreamento e telemetria, você consegue:
mapear quantas viagens sua frota realizou por rota, cliente e período de safra;
medir tempo médio de carregamento, descarga e filas;
entender quais veículos e motoristas performam melhor em cada perfil de rota.
Isso permite desenhar a próxima safra com mais segurança, dimensionando:
número de caminhões necessários;
turnos de operação;
capacidade de atendimento por região.
2. Reduzir uso “improdutivo” de caminhões, se o estudo mostra 70 mil caminhões a mais do que o necessário no sistema, a pergunta é:
Quantos caminhões a mais você está usando porque não tem visibilidade da operação?
Com soluções de gestão de frota da Ali Sat, é possível:
reduzir retornos vazios com melhor planejamento de rotas e carregamentos;
diminuir tempo parado em filas com monitoramento em tempo real e comunicação assertiva;
aumentar o giro da frota, fazendo mais viagens com o mesmo número de veículos.
3. Integrar segurança e eficiência com videotelemetria
No agro, muitas operações acontecem: em estradas de terra e acessos remotos, em longas distâncias até portos e terminais, em janelas apertadas e sob pressão de prazo.
A videotelemetria permite:
monitorar direção em tempo real (excesso de velocidade, fadiga, distração);
registrar ocorrências e quase-acidentes para treinamento;
proteger motorista, carga e veículo em caso de sinistro ou disputa.
Tudo isso reduz o risco de paradas inesperadas, acidentes e prejuízos.
4. Usar cercas virtuais e alertas inteligentes
Com cercas virtuais e alertas configurados, o gestor de frota consegue:
controlar entrada e saída de veículos em fazendas, armazéns, cooperativas e portos;
ser avisado automaticamente quando o caminhão entra em área de risco ou fica tempo demais parado;
disparar ações rápidas (contato com motorista, replanejamento, suporte em rota).
Essa visibilidade é essencial quando a produção está alta e qualquer atraso em um elo da cadeia gera efeito cascata.
Da pressão logística ao diferencial competitivo
A demanda global por alimentos vai continuar crescendo e o Brasil tem tudo para seguir como protagonista, mas isso só será sustentável se a logística acompanhar o ritmo.
Enquanto mais de 65% dos grãos seguem nas costas do caminhão, a armazenagem continua limitada e o investimento em infraestrutura é baixo. Quem trabalha com frota precisa transformar gestão, tecnologia e dados em vantagem competitiva.
Nós existimos justamente para isso: ajudar sua operação a sair do modo “apagar incêndio na safra” e entrar no modo gestão previsível, com mais controle, segurança e eficiência em cada quilômetro rodado.
No agro, quem domina a logística não é só fornecedor de transporte, é parceiro estratégico da produção de alimentos do Brasil e do mundo.




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