Escassez de motoristas: um desafio estrutural que já ameaça o futuro do transporte de cargas
- Felipe Vianna

- há 1 dia
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A falta de motoristas profissionais deixou de ser um problema pontual e passou a ser encarada como um desafio estrutural para o transporte rodoviário de cargas, no Brasil e no mundo. A avaliação é do assessor jurídico do SETCESP, Narciso Figueirôa Junior, em artigo que reúne dados da International Road Transport Union (IRU), da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT).
O cenário internacional já mostra a gravidade do problema: segundo relatório global da IRU divulgado em junho de 2026, existem cerca de 2,9 milhões de vagas de motoristas de caminhão não preenchidas em 18 mercados. Cerca de 20% da força de trabalho de motoristas na Europa e 24% na Austrália devem se aposentar nos próximos cinco anos, e a participação feminina na profissão segue baixa em todo o mundo.
O retrato brasileiro é igualmente preocupante
Segundo estudos do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), citados por Figueirôa, o Brasil perdeu 1,17 milhão de motoristas habilitados nas categorias C e E na última década. Outros dados reforçam a urgência do problema:
Mais de 71% dos motoristas profissionais têm entre 41 e 70 anos.
Menos de 5% têm até 30 anos.
88% das empresas de transporte relatam dificuldade para contratar motoristas.
A pesquisa da CNT, realizada com 800 motoristas em seis estados, mostra profissionais que rodam em média 9.859 km por mês, com 59,1% atuando em rotas de longa distância acima de 500 km por dia e apenas 5,6 dias de folga mensais. Já o levantamento da CNTTT, com 1.015 motoristas, aponta idade média de 45 anos, predominância masculina (99,7%) e salário líquido médio de R$ 6.006.
Por que os motoristas estão saindo da profissão
De acordo com a CNTTT, os principais fatores que afastam profissionais da atividade são:
Preconceito contra a categoria (70%)
Baixas remunerações (58%)
Condições adversas de trabalho (51%)
Falta de políticas públicas efetivas (41%)
Ausência de perspectivas de crescimento (38%)
Um problema que exige solução conjunta
Para o assessor jurídico, resolver a escassez de motoristas depende da atuação coordenada entre empresas, embarcadores, concessionárias, entidades representativas e poder público. Entre as medidas defendidas estão investimentos em infraestrutura, ampliação de pontos de parada, redução do tempo de espera para carga e descarga, programas de qualificação profissional e incentivo à entrada de jovens e mulheres na atividade.

O papel da gestão de frota nesse cenário
Em um contexto de escassez de mão de obra, cada motorista qualificado se torna um ativo ainda mais valioso e isso muda a forma como as transportadoras devem pensar a gestão da sua operação. Reduzir o desgaste da equipe, otimizar rotas, evitar retrabalho e dar mais previsibilidade ao dia a dia do motorista são formas diretas de reter talentos em um mercado cada vez mais disputado.
É aqui que a videotelemetria se torna uma aliada estratégica. Ao gerar dados confiáveis sobre rotas, tempos de viagem e desempenho operacional, ela ajuda a empresa a planejar melhor, reduzir imprevistos e criar condições de trabalho mais eficientes, sem transformar a ferramenta em vigilância sobre o motorista. O objetivo é proteger a operação e valorizar o profissional, não fiscalizá-lo.
Como a Ali Sat pode ajudar
A Ali Sat oferece soluções de videotelemetria que dão às transportadoras e embarcadoras a visibilidade necessária para otimizar rotas, reduzir custos e planejar operações com mais inteligência, contribuindo para um ambiente de trabalho mais eficiente e previsível para os motoristas.




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