Nova tabela de frete já está em vigor: o que muda para transportadoras e empresas que dependem da estrada
- Felipe Vianna
- há 4 horas
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A nova tabela do piso mínimo de frete já está valendo em todo o Brasil. A atualização foi publicada pela ANTT em 20 de março de 2026 e foi acionada pelo gatilho legal de revisão, que entra em cena sempre que há variação igual ou superior a 5% no preço do diesel. Nesta revisão, a referência adotada foi o diesel a R$ 7,35 por litro, com base na média nacional da ANP para a semana de 15 a 21 de março.
Na prática, isso significa que o valor mínimo do frete foi recalibrado para refletir melhor o custo real da operação rodoviária. A atualização envolve os valores por quilômetro rodado e também os custos de carga e descarga, considerando fatores como tipo de carga, número de eixos e modelo de operação. A própria ANTT informou que a nova tabela já entrou em vigor imediatamente após a publicação.
Os novos pisos variam conforme a operação. Na carga geral padrão, por exemplo, os valores passam de R$ 4,0031 a R$ 9,2466 por quilômetro, enquanto os custos de carga e descarga ficam entre R$ 436,39 e R$ 872,44. Para carga frigorificada ou aquecida, os coeficientes sobem para uma faixa de R$ 4,7442 a R$ 10,9629 por quilômetro, com carga e descarga entre R$ 502,29 e R$ 1.030,58. Também houve atualização para granel sólido, carga perigosa e carga conteinerizada.
Mas o ponto mais importante não está apenas na tabela em si. O que muda de verdade é o ambiente de fiscalização. Segundo a ANTT, a atualização veio acompanhada de uma nova lógica regulatória: o frete abaixo do piso mínimo deixa de ser apenas uma infração identificada depois e passa a ser bloqueado antes mesmo de acontecer. O CIOT passa a funcionar como uma barreira obrigatória, e operações informadas abaixo do piso são travadas no sistema. Sem CIOT, o transporte regular não acontece.
Esse movimento tem impacto direto sobre transportadoras, embarcadores e operadores logísticos. De um lado, a medida busca dar mais previsibilidade à remuneração do transporte e reduzir distorções concorrenciais no mercado. De outro, aumenta a necessidade de controle, planejamento e conformidade, porque trabalhar com frete apertado sem visibilidade sobre custos e produtividade passa a ser ainda mais arriscado.
Para as empresas, a leitura é clara: quando o diesel sobe e a tabela é reajustada, a margem fica mais sensível a qualquer desperdício operacional. Rota mal planejada, veículo rodando fora de padrão, tempo ocioso excessivo, desvios, condução agressiva e baixa produtividade passam a pesar ainda mais no resultado final. Em um cenário assim, não basta apenas aceitar a nova realidade do frete. É preciso operar melhor. Essa é uma inferência baseada no fato de que a revisão foi motivada pelo aumento do diesel e recalibrou os coeficientes para refletir o custo real da estrada.

É justamente nesse ponto que a gestão de frota ganha protagonismo. Quanto maior a pressão nos custos, maior a importância de enxergar a operação em tempo real, identificar gargalos rapidamente e agir com base em dados. Empresas que monitoram melhor seus veículos, acompanham comportamento de condução, reduzem desperdícios e aumentam previsibilidade operacional tendem a reagir com mais velocidade em momentos de pressão como este. Essa conclusão decorre do próprio desenho da medida: a nova tabela busca alinhar frete ao custo real da operação, o que torna eficiência interna ainda mais relevante para preservar margem.
A nova tabela de frete mostra que o transporte brasileiro entrou em uma fase de cobrança maior por aderência à realidade de custos e por cumprimento das regras. Para quem está na operação, isso representa um recado objetivo: não há mais espaço para gerir frota no escuro. Em um mercado mais pressionado, controlar a operação deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade.
Na Ali Sat, acreditamos que tecnologia precisa ajudar exatamente nisso: transformar dados da frota em decisões mais rápidas, mais inteligentes e mais lucrativas. Porque, quando o custo da estrada sobe, eficiência deixa de ser discurso e vira proteção do negócio.
