Qualidade das rodovias faz custo do transporte rodoviário subir 31,2% no Brasil
- Felipe Vianna

- 6 de jan.
- 5 min de leitura
Não é só impressão de quem vive na estrada: a qualidade das rodovias brasileiras está mexendo direto no bolso de transportadoras, embarcadores e frotistas.
De acordo com a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, divulgada pela CNT, a qualidade do pavimento aumenta, em média, 31,2% os custos operacionais do transporte rodoviário no Brasil. Mesmo com uma melhora geral em relação a 2024, o impacto financeiro, de segurança e ambiental segue enorme.
A seguir, veremos os principais números do estudo e entender o que tudo isso significa para quem gerencia frota todos os dias.
1. Como o pavimento ruim encarece o transporte
Segundo a pesquisa, os problemas nas rodovias brasileiras afetam diretamente:
consumo de combustível;
manutenção de veículos;
tempo de viagem;
risco de acidentes;
custo da operação como um todo.
Alguns dados centrais do levantamento:
31,2% de aumento médio nos custos operacionais devido à qualidade do pavimento no Brasil;
Nas rodovias públicas, 64,4% têm algum problema no pavimento, elevando os custos em até 35,8%;
Nas rodovias concedidas, 34,4% apresentam irregularidades, com aumento médio de até 18,4% nos custos, comparado a um pavimento em condição ótima.
Ou seja: mesmo onde a situação é “melhor”, o bolso ainda sente.
2. Diesel desperdiçado e impacto bilionário
Um dos pontos mais sensíveis para qualquer operação de frota é o combustível. A CNT estima que a má qualidade do pavimento gera, todos os anos: desperdício de 1,2 bilhão de litros de diesel, o que representa cerca de R$ 7,2 bilhões em custos adicionais.
Esse dinheiro some em:
caminhão reduzindo velocidade em piso ruim;
mais frenagens e retomadas;
desgaste aumentado de pneus e componentes;
motores trabalhando fora da melhor faixa de eficiência.
É combustível que poderia estar virando lucro, ou sendo investido em renovação de frota, tecnologias de baixo carbono ou modernização da operação e acaba indo embora no buraco (literalmente).

3. Acidentes: custo econômico e humano
As rodovias ruins não pesam apenas no diesel e na manutenção. Elas também aumentam riscos para motoristas e cargas.
Entre janeiro de 2016 e julho de 2025, foram registrados 697.435 acidentes nas rodovias federais monitoradas pela PRF, com custo econômico estimado em R$ 149,67 bilhões, somando atendimentos de emergência, danos a veículos, perda de carga e impactos sociais.
Para quem gerencia frota, isso significa:
mais chance de sinistros;
aumento de prêmios de seguro;
interrupção de rotas;
atrasos em entregas e quebra de SLA com clientes.
4. A malha melhorou, mas ainda está longe do ideal
A boa notícia: a pesquisa mostra um pequeno avanço na qualidade geral da malha rodoviária em 2025. Do total de 114.197 km avaliados:
37,9% foram classificados como ótimos ou bons (em 2024 eram 33,0%);
os trechos ruins ou péssimos caíram de 26,6% para 19,1%;
o restante (43,0%) segue como regular.
Ou seja, saímos de um cenário de deterioração contínua para uma leve recuperação, mas:
Ainda temos mais de 60% da malha entre regular, ruim e péssima.
Para recuperar a malha com intervenções emergenciais de reconstrução, restauração e manutenção, a CNT estima a necessidade de R$ 101,1 bilhões em investimentos.
MundoLogística
5. Diferenças regionais: onde o custo pesa mais
A pesquisa detalha também o impacto por região, e os números ajudam a explicar por que algumas rotas “doem” muito mais no caixa do que outras:
Norte
Apenas 18,7% da malha é ótima/boa
32,3% das rodovias são ruins ou péssimas
As condições elevam em 43,1% o custo operacional do transporte
Nordeste
30,9% da malha é ótima/boa
23,4% ainda é ruim ou péssima
A qualidade do pavimento aumenta em 31,1% o custo operacional.
Sudeste
Melhor índice do país: 51,7% ótima/boa
Ainda assim, o pavimento eleva em 26,4% os custos
Sul
36,4% da malha em boas condições
Custos operacionais sobem, em média, 31,2% por conta do pavimento
Centro-Oeste
Menor proporção de trechos ruins/péssimos (7,9%), mas quase metade da malha é regular
Isso ainda provoca aumento de 30,3% nos custos.
Na prática: independente da região, a infraestrutura rodoviária está inflando o custo logístico no Brasil – em alguns casos, de forma dramática.
6. O que isso significa para a gestão de frotas
Se você é gestor de frota, transportador ou embarcador, essa realidade tem impacto direto no seu dia a dia. Alguns pontos estratégicos:
a) Frete precisa considerar a realidade da infraestrutura: rotas que atravessam trechos ruins, com muitos pontos críticos ou regiões como Norte e parte do Nordeste, precisam ter: fretes diferenciados, margens ajustadas e cláusulas contratuais que levem em conta tempo extra, risco e maior desgaste da frota.
Trabalhar com tabela “padrão Brasil” sem olhar o mapa de qualidade das rodovias é receita para perder dinheiro.
b) Manutenção preditiva deixa de ser luxo: rodovia ruim = mais esforço em suspensão, pneus, freios e estrutura do veículo.
Quem não acompanha: quilometragem por rota, padrão de manutenção por tipo de trecho e histórico de quebra por estrada, acaba apagando incêndio ao invés de planejar. A tendência é viver com veículo parado na oficina e frota sempre no limite.
c) Planejamento de rotas inteligente (não só o caminho mais curto): para certas origens e destinos, pode valer mais a pena: rodar um pouco mais em uma rodovia concedida e melhor, do que “cortar caminho” em trechos muito ruins.
O custo por km rodado não é só combustível + pedágio: é custo total de operação, que inclui manutenção, riscos e tempo parado em oficina.
7. Como a tecnologia da Ali Sat ajuda a reduzir o impacto das rodovias ruins
Não dá para o gestor consertar o asfalto. Mas dá para mitigar o estrago com informação, tecnologia e gestão ativa.
Rastreamento e telemetria
Com soluções de rastreamento e telemetria, você consegue:
analisar consumo de combustível por rota e veículo;
identificar trechos onde há mais frenagens, buracos e redução brusca de velocidade;
comparar desempenho de diferentes trajetos entre os mesmos pontos;
correlacionar quebra e manutenção com determinadas rodovias.
Isso permite:
desenhar rotas mais eficientes,
recalcular o frete considerando a realidade de cada corredor logístico,
agir preventivamente na manutenção.
Videotelemetria
Com câmeras embarcadas, você aumenta ainda mais o nível de controle:
registro de incidentes e quase-acidentes por conta de buracos, falta de acostamento ou curvas mal sinalizadas;
proteção jurídica e comprovação em caso de sinistros relacionados à infraestrutura;
visibilidade sobre o comportamento do motorista em trechos críticos, ajudando no treinamento e redução de risco.
Gestão por dados, não por “sensação”
Quando você cruza: dados de rastreamento, telemetria, videotelemetria, relatórios de manutenção e custos de combustível, consegue transformar a realidade das rodovias em indicadores concretos dentro da sua operação.
E aí, em vez de apenas reclamar do asfalto, você:
ajusta tabela de frete
escolhe melhor os caminhos
protege seus veículos
melhora sua margem mesmo em um cenário hostil
Buraco na estrada ou buraco no caixa?
A pesquisa CNT de Rodovias 2025 deixa claro: a condição das rodovias não é só um problema de infraestrutura pública. É um fator que aumenta em mais de 30% o custo do transporte rodoviário no Brasil e impacta diretamente a competitividade das empresas.
Para quem trabalha com frota, o caminho é olhar para esses números e reagir! Rever rotas, fretes e contratos, investir em rastreamento, telemetria e videotelemetria.
Aqui na Ali Sat, nosso foco é justamente esse: ajudar você a navegar por um cenário de rodovias desafiadoras com mais controle, mais segurança e menos desperdício, para que, mesmo com buraco na pista, não falte previsibilidade e resultado no seu negócio.




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