Segurança no transporte de cargas: um custo crescente que toda indústria precisa gerenciar
- Alisson Dias

- há 4 horas
- 3 min de leitura
O roubo e o furto de cargas deixaram de ser um risco pontual para se tornar uma variável estrutural nos custos operacionais da indústria brasileira. Os dados são contundentes: segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os gastos com segurança no transporte já impactam o custo final dos produtos em 62% das indústrias do país. Para os gestores de frota e logística, isso representa uma pressão permanente sobre a margem operacional e exige uma resposta estratégica.
O retrato da insegurança no transporte rodoviário
O levantamento da CNI revela a extensão do problema: 20% das empresas industriais sofreram roubo ou furto de cargas rodoviárias nos últimos cinco anos. Desses casos, 68% ocorreram diretamente nas rodovias, 48% em áreas urbanas, 21% em armazéns e terminais de carga, e 16% em postos de combustíveis.
Esses números deixam claro que nenhum ponto da cadeia está imune ao risco. Do carregamento ao destino final, a carga está exposta e as empresas que não possuem sistemas robustos de monitoramento e rastreamento operam com uma vulnerabilidade considerável.
Onde as empresas estão investindo
Diante desse cenário, as indústrias têm ampliado seus gastos em diferentes frentes de proteção. O seguro de carga é atualmente a principal despesa de segurança, citado por 62% dos entrevistados. Na sequência aparecem os equipamentos de rastreamento e bloqueio (31%), o treinamento de motoristas e equipes (21%), a terceirização do transporte (7%) e a contratação de segurança armada ou escolta (7%).
Chama atenção o crescimento desses investimentos ao longo do tempo: quatro em cada dez indústrias relataram aumento nos gastos com segurança nos últimos cinco anos. Para 5% dos entrevistados, esse crescimento foi intenso, enquanto 33% registraram aumento gradual. Apenas 59% mantiveram os custos estáveis no período.
O impacto sobre a competitividade
A insegurança no transporte vai além do prejuízo imediato com a carga perdida. Para 81% dos empresários ouvidos pela CNI, a violência e a necessidade de proteção de ativos contribuem diretamente para elevar o chamado Custo Brasil. Já 32% avaliam que os impactos da insegurança sobre a competitividade dos seus negócios são altos ou muito altos.

A realidade das frotas: terceirizado, próprio ou misto
A pesquisa também traça um perfil do modelo de transporte adotado pelas indústrias: 49% operam exclusivamente com frota terceirizada, 26% adotam modelo misto e apenas 19% utilizam frota própria. Independentemente do modelo, a responsabilidade pela segurança da carga não desaparece, ela apenas assume diferentes formatos contratuais e operacionais.
Transportadoras que prestam serviço a embarcadoras, por exemplo, precisam demonstrar capacidade técnica de monitoramento e resposta a incidentes. Do contrário, perdem contratos e credibilidade no mercado.
O que os gestores de frota precisam fazer agora
Diante dos dados apresentados, algumas ações são prioritárias para transportadoras e gestores de frota que buscam reduzir exposição ao risco e controlar custos operacionais:
Implementar rastreamento em tempo real em toda a frota, com alertas automáticos para desvios de rota e paradas não programadas.
Utilizar videotelemetria embarcada para monitorar o comportamento do motorista e registrar ocorrências ao longo do trajeto.
Mapear os trechos de maior risco na malha rodoviária e adaptar rotas e horários de operação.
Capacitar motoristas continuamente em segurança operacional, conduta preventiva e protocolos de emergência.
Integrar os dados de rastreamento e câmeras a um centro de monitoramento com capacidade de resposta imediata.
Avaliar periodicamente os custos de seguro frente ao investimento em tecnologia de monitoramento, em muitos casos, a tecnologia reduz o prêmio pago nas apólices.
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