Tarifas em alta e logística em 2026: o que a pesquisa da DP World revela para frotas brasileiras
- Lidiane de Jesus
- há 5 dias
- 5 min de leitura
O ano de 2026 promete ser desafiador para quem vive de transporte e logística.
Uma pesquisa global da DP World, com 3,5 mil líderes de Supply Chain e logística, mostra um cenário em que tarifas e barreiras comerciais devem crescer, mas, ao mesmo tempo, há forte otimismo com novas rotas, digitalização e tecnologia nas operações.
Para transportadoras, embarcadores e empresas com frota própria no Brasil, isso significa uma coisa clara: quem não usar dados, tecnologia e gestão inteligente da frota para navegar esse ambiente vai perder competitividade, mesmo com muita carga disponível no mercado.
O que a pesquisa da DP World mostra sobre 2026
Alguns números ajudam a entender o clima global:
47% dos líderes globais acreditam que as barreiras comerciais, tarifárias e não tarifárias, vão aumentar em 2026;
outros 43% acham que elas continuarão no mesmo nível de 2025;
na América do Sul, 56% dos executivos enxergam as tarifas como principal risco para os negócios, reflexo da dependência da região dos EUA e de setores atingidos pelos aumentos tarifários norte-americanos em 2025;
53% esperam alta ou muito alta incerteza política em 2026;
Ainda assim, 96% dos líderes de logística acreditam que o comércio internacional vai crescer em 2026; Europa (22%) e China (17%) são vistos como os mercados com maior potencial.
Ou seja: o mundo está mais caro, complexo e imprevisível, mas cheio de oportunidade para quem souber se posicionar.
Impactos diretos para o transporte brasileiro
A pesquisa reforça algo que o setor aqui já sente na pele. Em levantamento citado no estudo, a NTC&Logística apontou que 82% das empresas brasileiras consultadas relataram queda na demanda de fretes ligados à exportação após o aumento das tarifas de importação dos EUA sobre produtos do Brasil.
No agronegócio, o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) atribuiu ao “tarifaço” uma parte importante da queda no volume exportado de café em 2025.
Para quem está na estrada, isso significa:
volumes mais voláteis em cargas de exportação;
pressão por reajuste de frete em rotas mais sensíveis às tarifas;
necessidade de diversificar clientes, rotas e setores atendidos.
Como os líderes estão reagindo: estratégias para sobreviver às tarifas
A pesquisa da DP World mostra três grandes movimentos estratégicos que os executivos pretendem acelerar em 2026:
Diversificação de fornecedores (51%)
Aumento de estoques (44%)
Friendshoring (36%) – aproximar cadeias produtivas de países considerados “amigos” ou com menor risco político.
Além disso: 26% dos executivos pretendem passar a usar novas rotas comerciais em 2026. 23% estão avaliando essa possibilidade.
Os principais motivos para mudar de rota são:
Redução de custos (38%);
Melhor conectividade de transporte e infraestrutura (36%);
Procedimentos aduaneiros mais eficientes (35%).
Para o gestor de frota brasileiro, isso se traduz em:
estar pronto para atender novos corredores logísticos (portos, terminais, regiões);
negociar novas combinações de rota + modal (rodoviário + ferroviário, por exemplo);
ajustar estrutura de frete e disponibilidade da frota conforme essas mudanças.

Infraestrutura e novos corredores: oportunidade para quem se organiza
O levantamento destaca o crescimento de corredores alternativos, principalmente em fluxos intra-Ásia e Ásia–África, impulsionados por investimentos em portos, ferrovias, rodovias e novos acordos comerciais.
O Brasil também caminha nessa direção. O governo federal apresentou: uma nova Política Nacional de Outorgas Ferroviárias e uma carteira de projetos que prevê 8 leilões de ferrovias, somando mais de 9 mil km e cerca de R$ 140 bilhões em investimentos, com projeção de até R$ 600 bilhões injetados no sistema ferroviário;
No mesmo período, o Ministério de Portos e Aeroportos planeja 18 leilões portuários, além de projetos de concessão de hidrovias e investimentos de R$ 586 milhões em infraestrutura hidroviária.
Para quem administra frota rodoviária, isso abre três frentes:
Conexão com novos hubs logísticos – portos, terminais ferroviários, retroportos e ZPEs.
Integração multimodal mais forte – o caminhão como peça-chave da “última milha” (ou dos últimos 200 km) em cadeias cada vez mais complexas.
Planejamento regional – saber onde a infraestrutura vai melhorar primeiro para se posicionar com clientes e bases operacionais.
Tecnologia e digitalização: a resposta estratégica às tarifas
Se as tarifas e barreiras devem crescer, a resposta dos líderes globais é clara: tecnologia e dados.
Na pesquisa da DP World:
52% dos executivos apontam o setor de tecnologia como o principal motor de crescimento do comércio mundial;
94% afirmam que suas cadeias de suprimentos estarão pelo menos parcialmente digitalizadas até o final de 2026;
Nas operações de transporte e gestão de frotas, cerca de 70% das empresas já iniciaram a digitalização, e outros 23% planejam investir nessa área em breve;
O mercado global de logística digital deve crescer mais de 18% ao ano até 2030.
Tradução prática:
Quem ainda não mede, acompanha e analisa sua frota em detalhe (km, consumo, estilo de condução, roteiros, paradas, custos por cliente e tipo de carga) vai competir em desvantagem.
Em um mundo com tarifas complexas e rotas mutantes, decidir “no olho” virou risco, não coragem.
O que o gestor de frotas pode fazer em 2026
1. Mapear a exposição da sua frota às tarifas e rotas de exportação: Identifique quais clientes e rotas estão mais ligados a exportações e mercados sensíveis a tarifas;
Entenda, com dados, onde a demanda pode oscilar mais e onde há espaço para crescimento interno/regional.
2. Calcular o custo real por rota, cliente e tipo de carga: com telemetria e rastreamento, você consegue: saber quanto custa cada km rodado em diferentes corredores e precificar frete com base em dados reais, considerando pedágios, tempo de viagem, consumo e risco. Além de negociar reajustes vinculados a tarifas, combustível e complexidade de operação.
3. Usar dados para decidir rotas e contratos: compare rotas alternativas do ponto de vista de custo, tempo e risco. Apoie decisões de manutenção, renovação de frota e alocação de veículos em indicadores objetivos, não só na experiência.
4. Profissionalizar a digitalização da frota: conecte sua frota com rastreamento, telemetria e videotelemetria, integre esses dados ao financeiro, comercial e operações. Crie rotinas de análise periódica, com dashboards simples que mostrem o essencial: custo, produtividade e risco por rota e cliente.
Onde a Ali Sat entra nessa nova logística global
Nesse ambiente em que tarifas, rotas e incertezas aumentam, a Ali Sat ajuda você a transformar tudo isso em vantagem competitiva, e não apenas em dor de cabeça.
Com as soluções de rastreamento, telemetria, videotelemetria e automação, é possível:
enxergar sua operação em tempo real e por rota;
reduzir desperdícios de combustível, tempo e manutenção;
aumentar a segurança de motoristas, veículos e carga;
criar uma base sólida de dados para negociar fretes, reagir a tarifas e decidir investimentos.
Enquanto o cenário global fica mais complexo, quem administra frota com dados, tecnologia e estratégia consegue algo valioso: continuar competitivo, mesmo com tarifas mais altas, e ainda escolher melhor onde, como e com quem quer crescer.
E é exatamente aí que nós queremos estar ao seu lado em 2026.
