Transportadoras do agro podem ter aumento de 414% na Carga Tributária
- Alisson de Freitas

- há 11 minutos
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Um estudo da consultoria Rumo Brasil identificou que transportadoras especializadas em produtos do agro poderão ter um aumento médio de 414,44% na carga tributária com a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista na Reforma Tributária. A análise foi baseada em dados da Associação Nacional das Empresas Agenciadoras de Transporte de Cargas (ANATC), considerando operações realizadas ao longo de 2025.
Com base nesse cenário, a consultoria estima um impacto financeiro superior a R$ 144 milhões para o setor. O objetivo do levantamento, segundo a Rumo Brasil, foi justamente transformar essa discussão em números concretos, permitindo que as empresas compreendam de forma prática os efeitos da nova legislação sobre suas operações.
Como o estudo foi feito
A análise foi desenvolvida ao longo de três meses e utilizou obrigações acessórias, documentos fiscais, demonstrações contábeis e controles internos das empresas participantes. Foram considerados exclusivamente os efeitos da CBS, tributo que substituirá o PIS e a Cofins, sem incluir o IBS, cuja implementação ocorrerá de forma gradual e possui regras próprias de creditamento.
As empresas avaliadas no estudo somam faturamento de R$ 6,6 bilhões e cerca de R$ 5 bilhões em subcontratações. Esse volume de subcontratação foi apontado como fator determinante para o aumento da carga tributária projetada, já que as novas regras de aproveitamento de créditos fiscais tratam essas operações de forma diferente do modelo atual.
Por que a subcontratação pesa tanto nessa conta
O transporte rodoviário está presente em praticamente todas as cadeias produtivas do agro, e boa parte das operações é realizada por meio de subcontratações, uma transportadora contratando outra para completar uma rota ou atender uma demanda específica. É justamente aí que o novo modelo tributário muda o jogo: as regras de creditamento da CBS tornam essas operações intermediárias mais sensíveis do ponto de vista fiscal, o que explica por que o impacto calculado pelo estudo é tão expressivo.
Além do custo: mais controle documental
O levantamento também aponta mudanças na gestão tributária das transportadoras que vão além do impacto financeiro direto. O novo modelo amplia a importância do controle documental, tornando cada contratação, cada documento fiscal e cada operação fatores diretamente relacionados à correta apuração dos tributos e à competitividade das empresas.
Como o transporte está presente em praticamente todas as cadeias produtivas, o estudo alerta que esse aumento de custo tende a se refletir em embarcadores, indústrias, distribuidores e, no fim da cadeia, no consumidor final.

O que a Rumo Brasil recomenda
Segundo a consultoria, a Reforma Tributária representa uma transformação que vai muito além do pagamento de impostos: as empresas precisarão revisar processos, contratos e estratégias para se adaptar a um ambiente mais complexo. Quanto antes essa preparação começar, maiores serão as condições de reduzir riscos e preservar a competitividade.
Por que isso importa para a gestão de frota
O recado por trás do estudo é claro: em um cenário tributário mais complexo, ter controle preciso sobre cada operação deixa de ser um detalhe operacional e passa a ser uma questão estratégica. Rotas, contratações, subcontratações e comprovação de cada etapa da operação precisam estar documentadas com exatidão, não só para fins fiscais, mas para sustentar a competitividade da empresa diante de custos crescentes.
Sistemas de gestão de frota e videotelemetria contribuem exatamente nesse ponto: eles geram dados objetivos sobre cada viagem, cada trajeto e cada operação realizada, ajudando a transportadora a manter registros confiáveis e a tomar decisões mais informadas em um cenário regulatório cada vez mais exigente.




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