Caminhoneiro autônomo passa 25 dias por mês na estrada: o que a pesquisa da CNTA mostra sobre saúde, segurança e frota
A 3ª Pesquisa Nacional CNTA — Realidade do Transportador Autônomo de Cargas 2025 ouviu 2.002 caminhoneiros autônomos cadastrados no RNTRC, em 11 estados das cinco regiões do país, entre junho e agosto de 2025. O retrato que sai dela é de uma categoria que sustenta boa parte do transporte rodoviário de cargas do Brasil trabalhando no limite: jornadas de até 18 horas, mais de duas semanas seguidas longe de casa e frota envelhecida rodando sem folga.
Uma jornada que consome o mês inteiro
Em média, o caminhoneiro autônomo trabalha 25 dias por mês. 61,1% ficam ativos de 25 a 29 dias mensais, e 11,2% não tiram nenhuma folga, trabalham o mês inteiro. Dentro de cada dia de trabalho, 40,1% cumprem jornadas de 12 a 14 horas, 40,4% ficam de 15 a 17 horas na estrada e 8,8% relatam 18 horas ou mais. Com uma média de nove fretes por mês, o tempo fora de casa também se estende: em média, são 16 dias seguidos longe da família, com 23% ficando de 15 a 19 dias fora e 14,2% passando 25 dias ou mais sem voltar. Quase metade (48,5%) simplesmente não tira férias, e entre quem tira, a média é de apenas 8 dias por ano.
Faturamento alto no papel, resultado apertado na prática
O faturamento bruto médio mensal chega a R$ 46 mil, mas depois de descontar combustível, manutenção, pedágio e demais custos da operação, o valor líquido cai para R$ 14 mil, o equivalente a R$ 40 por hora trabalhada. A distribuição de renda líquida mostra que 59% ganham entre R$ 10 mil e R$ 19.999, 21,9% ficam abaixo de R$ 10 mil, e apenas 3,4% ultrapassam R$ 30 mil. Quanto à forma de conseguir carga, 46,6% dependem de aplicativos de frete, 38% fecham diretamente com embarcadores e 14,9% recorrem a agenciadores.
Segurança nas estradas e espera não remunerada
57,7% afirma nunca se sentir seguro nas rodovias. Entre quem já foi vítima de algum crime, 16,9% sofreram furto sem violência e 13,3% passaram por roubo com violência. A infraestrutura de apoio também é apontada como insuficiente: 96,6% usam postos de combustível para cumprir a lei do descanso, e 78,4% classificam como difícil encontrar um local adequado para repousar. Nas operações de carga e descarga, 46,1% enfrentam sempre esperas de 5 horas ou mais, e 84,7% desses motoristas não recebem valor de estadia por esse tempo parado e nem denunciam.
Frota envelhecida e saúde deixada em segundo plano
A idade média dos veículos da categoria é de 15 anos, com 33% das frotas entre 10 e 14 anos e quase 20% já com 15 a 19 anos de uso, mais da metade (57,6%) roda com pneu recauchutado. Do lado da saúde, o quadro também preocupa: 62,1% só procuram atendimento médico quando já estão doentes, 60,2% fazem exames apenas diante de algum sintoma, e 86,5% não praticam nenhuma atividade física durante a semana. Mais da metade (56,7%) já convive com alguma comorbidade, com destaque para pressão alta (19,7%), sobrepeso ou obesidade (19,4%) e ansiedade (15,6%). Mesmo diante desse cenário, 59,3% dizem não se sentir valorizados mas pretendem continuar na profissão, e 23% não se sentem valorizados e já pensam em mudar de atividade.
O que isso significa para quem depende de frota agregada
Boa parte da capacidade de transporte rodoviário do país roda com motoristas autônomos, agregados que muitas transportadoras e embarcadores contratam para complementar a frota própria. Os números da CNTA mostram um cenário de risco elevado exatamente onde a operação tem menos controle direto: jornadas exaustivas em veículos mais antigos, sem revisão frequente de saúde e com percepção alta de insegurança nas estradas.

Para quem gerencia esse tipo de operação, alguns pontos pedem atenção prática:
Fadiga é fator de risco mensurável, não suposição: Jornadas de 15 horas ou mais, como as relatadas por quase metade da categoria, aumentam diretamente o risco de acidente por sonolência e perda de atenção. Tecnologia de monitoramento de fadiga e distração (DMS) existe justamente para identificar esse risco em tempo real e alertar antes que ele vire ocorrência, funcionando como proteção para o motorista, não como fiscalização.
Segurança da carga e do motorista andam juntas: Com quase 1 em cada 3 motoristas relatando furto ou roubo, rastreamento em tempo real, geocercas e botão de pânico deixam de ser diferencial e passam a ser parte básica de como proteger quem está na estrada e o que ele está transportando.
Frota mais velha pede monitoramento mais próximo: Com idade média de 15 anos, o risco de falha mecânica em plena viagem é maior e cada quebra no meio da rota significa carga parada, prazo comprometido e, em muitos casos, o próprio motorista mais exposto até a chegada do socorro.
Na Ali Sat, trabalhamos com rastreamento, telemetria e monitoramento de comportamento de condução justamente para dar às transportadoras e embarcadoras esse nível de visibilidade sobre a operação, inclusive sobre a parte da frota que não é própria, mas que carrega a mesma responsabilidade pela carga e pela segurança de quem dirige.





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