Pesquisa CNTA: mais da metade dos autônomos aceita frete abaixo do piso
- Lidiane de Jesus

- há 2 dias
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Mais da metade dos caminhoneiros autônomos do país aceita fretes abaixo do piso mínimo. O dado é da 3ª Pesquisa Nacional CNTA - Realidade do Transportador Autônomo de Cargas 2025, divulgada em agosto de 2026, e escancara uma distância entre o que a lei determina e o que efetivamente acontece nas estradas brasileiras.
O que a pesquisa encontrou
Segundo o levantamento, 57,3% dos entrevistados afirmaram aceitar frete com valor abaixo do piso mínimo por necessidade, sem registrar denúncia. Outros 34,5% disseram recusar o frete nessas condições. Entre os demais, 4,4% não verificam se o valor está de acordo com o piso, 2,1% recusam e denunciam, 1,3% aceitam e denunciam, e 0,3% tentam negociar.
Quando perguntados sobre o cumprimento do piso mínimo no país de forma geral, o retrato é ainda mais duro: para 28% dos entrevistados, a lei nunca é respeitada; para 23,8%, raramente; para 39,3%, apenas às vezes. Só 1,6% consideram que o piso é sempre cumprido. Quanto ao conhecimento da legislação, 56,2% afirmaram conhecê-la bem, 26,5% já ouviram falar mas não sabem os detalhes, e 17,2% disseram não conhecê-la.
A pesquisa ouviu 2.002 caminhoneiros autônomos cadastrados no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), entrevistados presencialmente entre junho e agosto de 2025, em 11 estados das cinco regiões do país.
Vale-Pedágio e Lei da Estadia: outros dois pontos de atrito
O levantamento também mediu o cumprimento de outras duas obrigações legais que envolvem diretamente quem contrata frete autônomo. Sobre o Vale-Pedágio Obrigatório, 44,9% dos entrevistados disseram que a lei não é respeitada, e 43,1% que é respeitada apenas em parte. Um dado chama atenção: 52,2% afirmaram não receber o Vale-Pedágio por meio de TAG, o que sugere falha recorrente na forma de operacionalizar o benefício, mesmo entre quem cumpre a obrigação no papel.
Já sobre a Lei da Estadia, 46,1% dos caminhoneiros disseram enfrentar sempre esperas de cinco horas ou mais para carregar ou descarregar. Nesses casos, o cenário é praticamente unânime: 84,7% afirmaram não receber o valor da estadia devida e não denunciar a situação. Apenas 8,6% disseram receber corretamente.
Golpes financeiros: o frete não pago é o mais comum
A pesquisa ainda perguntou sobre golpes financeiros ligados à profissão. 14,2% dos entrevistados disseram já ter sido vítimas. Dentro desse grupo, o golpe mais recorrente, de longe, foi o não recebimento total ou parcial do pagamento do frete, citado por 94,4% dos que já passaram por isso, muito à frente de outras fraudes como cheque sem fundo, frete falso, golpe de compra de veículo ou de Pix, cada uma na casa de 1% ou menos.

O que isso significa para quem gerencia frota
Esses números não dizem respeito só ao caminhoneiro autônomo individualmente, eles descrevem o ambiente operacional em que boa parte das transportadoras e embarcadoras do país atua no dia a dia, especialmente as que dependem de agregados e frota terceirizada para completar sua capacidade de transporte.
Três pontos merecem atenção direta de quem gerencia frota:
Exposição jurídica silenciosa: Uma transportadora que contrata frete abaixo do piso mínimo, mesmo que a iniciativa parta do próprio autônomo, por necessidade, está exposta a passivo trabalhista e a risco reputacional caso a prática seja identificada em fiscalização ou processo judicial. Ter controle documentado e rastreável de valores pagos por frete, por rota e por período é a diferença entre presumir conformidade e comprovar conformidade.
Vale-Pedágio e Estadia como pontos cegos operacionais: Os números de falha no pagamento via TAG e na quitação da Estadia sugerem que parte do problema não é má-fé, e sim falta de controle e rastreabilidade dos processos. Uma gestão de frota estruturada, com histórico de tempos de espera em cliente, embarque e desembarque, torna esse tipo de obrigação verificável e defensável, em vez de depender da palavra de cada motorista isoladamente.
Confiança como vantagem competitiva: Num cenário em que quase um em cada seis caminhoneiros autônomos já foi vítima de golpe financeiro ligado a frete não pago, a transportadora que consegue comprovar, com dados, que paga corretamente e no prazo, piso mínimo, Vale-Pedágio e Estadia inclusos, tem argumento concreto para atrair e reter os melhores motoristas parceiros num mercado de mão de obra cada vez mais disputado.
Na Ali Sat, ajudamos transportadoras e embarcadoras a transformar rastreamento e gestão de frota em evidência concreta de conformidade, tempos de espera documentados, rotas e cargas rastreadas, histórico organizado para qualquer auditoria ou negociação.




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