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Mercado informal de frete movimenta o setor, mas gera distorções, risco e prejuízo para toda a cadeia

O transporte rodoviário de cargas no Brasil convive com um problema que vai muito além da concorrência desleal. Segundo levantamento repercutido pela Mundo Logística, o mercado informal de frete representa cerca de 43% de tudo o que o setor movimenta no país e gera uma sonegação tributária estimada em R$ 32 bilhões por ano. O estudo aponta ainda que o mercado total de transporte rodoviário de cargas é de aproximadamente R$ 818 bilhões, sendo R$ 466,9 bilhões no segmento formal e R$ 341,8 bilhões no informal.


Esses números mostram que a informalidade não é um problema periférico. Ela já ocupa uma fatia relevante da operação logística brasileira e impacta diretamente a dinâmica do mercado. Quando quase metade do setor gira fora dos padrões esperados de formalização, arrecadação e rastreabilidade financeira, o efeito não fica restrito ao governo ou ao Fisco. Ele se espalha por toda a cadeia, pressionando preços, ampliando insegurança nas contratações e dificultando a construção de um ambiente mais equilibrado para quem opera corretamente. Essa leitura é uma inferência baseada no peso econômico atribuído ao segmento informal pelo estudo.


De acordo com as reportagens, a estimativa de sonegação foi feita a partir da comparação entre o consumo de diesel e o faturamento declarado à Receita Federal. O estudo foi encomendado pela Associação das Administradoras de Meios de Pagamento Eletrônico de Frete e indica que parte importante dessa perda de arrecadação está associada a práticas ilegais ou irregulares ainda presentes no transporte, como o uso da carta-frete, mecanismo proibido, mas que continua aparecendo em operações de média e longa distância.


Na prática, a informalidade afeta muito mais do que os tributos. Ela também compromete a remuneração do transportador autônomo, amplia a exposição a fraudes e pressiona a operação financeira das transportadoras. Quando o frete é contratado fora das regras, com pouca transparência e baixa formalização, a operação tende a ficar mais vulnerável a inadimplência, inconsistências de pagamento, descumprimento de obrigações e ausência de previsibilidade.


Para as empresas sérias do setor, esse cenário cria uma distorção difícil de ignorar. Quem investe em estrutura, tecnologia, conformidade fiscal, atendimento, segurança e controle operacional acaba competindo em um ambiente onde parte do mercado atua com menos custo aparente justamente porque opera à margem das exigências formais. Isso não significa automaticamente que toda operação informal tenha a mesma estrutura de custo, mas é uma inferência razoável dizer que a informalidade tende a desequilibrar a concorrência ao reduzir encargos e obrigações que pesam sobre o operador formal.


Esse problema ganha ainda mais relevância em um momento em que o governo federal e a ANTT vêm endurecendo a fiscalização do frete, especialmente em torno do piso mínimo e da emissão do CIOT. Em março de 2026, o governo anunciou que passaria a fiscalizar 100% dos fretes registrados, com reforço no uso do CIOT como barreira para impedir operações abaixo do piso mínimo. Esse movimento sugere um ambiente de maior pressão por formalização, rastreabilidade e conformidade no transporte rodoviário.


Operar com controle deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade básica. Em um mercado pressionado por custo, diesel, regra e fiscalização, as empresas que têm mais visibilidade sobre a operação conseguem reagir melhor. Sabem onde estão os desperdícios, entendem melhor a rentabilidade por rota e conseguem sustentar uma operação mais previsível, mais segura e mais profissional. Essa conclusão é uma inferência operacional apoiada pelo avanço das exigências regulatórias e pela própria dimensão do problema da informalidade no setor.


Mercado informal de frete movimenta o setor, mas gera distorções, risco e prejuízo para toda a cadeia

No fim, o avanço do mercado informal não é apenas uma discussão tributária. É um sinal de que o transporte brasileiro ainda enfrenta desafios estruturais de profissionalização, controle e equilíbrio concorrencial. E, em um ambiente assim, quem quer crescer de forma sustentável precisa apostar cada vez mais em gestão, processo e tecnologia.


Quanto mais complexo o mercado, mais importante se torna enxergar a operação com clareza, agir com base em dados e construir uma frota mais eficiente, mais segura e mais preparada para competir do jeito certo.


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