Operadores logísticos somam 983 mil empregos diretos e ainda penam para contratar motoristas
Os operadores logísticos fecharam 2025 com 983 mil postos de trabalho diretos no Brasil, alta de 22% sobre os 804 mil de 2023. Somando empregos indiretos e das cadeias periféricas, o contingente chega a 2,8 milhões de pessoas. Os dados são do "Perfil dos Operadores Logísticos - edição 2026", estudo da ABOL (Associação Brasileira de Operadores Logísticos) em parceria com o ILOS (Instituto de Logística e Supply Chain).
O setor cresce, gera emprego e, mesmo assim, não consegue preencher as vagas de motorista. É esse descompasso que interessa a quem gerencia frota.
Um setor do tamanho de quase 2% do PIB
Em 2025, os operadores logísticos registraram receita operacional bruta de R$ 247 bilhões, 18% acima de 2023. A ABOL calcula que esse valor equivale a quase 2% do PIB e a cerca de 20% de tudo o que o país gasta com transporte e armazenagem. O recolhimento de tributos e encargos somou R$ 57 bilhões.
Como o emprego está distribuído
O regime CLT segue predominante: cerca de 80% dos trabalhadores das empresas pesquisadas têm carteira assinada, e os 20% restantes são terceiros. O mesmo peso aparece nas despesas com pessoal, em que os colaboradores diretos representam 67% dos gastos, contra 33% destinados a terceirizados, agregados e autônomos.
Nos últimos dois anos, 51% dos operadores ampliaram o quadro CLT, 25% reduziram e 25% mantiveram. O movimento varia com o porte: entre os médios, 67% aumentaram o número de CLTs, contra 45% dos grandes e 42% dos pequenos. Nas empresas de maior porte, 35% enxugaram o quadro.
Vaga aberta não significa vaga preenchida
Mesmo com a oferta de empregos em alta, atrair e reter profissionais continua entre os maiores desafios do setor. O recrutamento de motoristas para frota própria é o principal entrave apontado pela pesquisa: 21% dos operadores classificam o problema como muito alto e 35% como alto. Na sequência aparecem a contratação e a retenção de profissionais de armazenagem e a retenção de condutores.
A contratação de transportadores autônomos (TACs) é a que menos pesa: 31% dos operadores a classificam como difícil ou muito difícil, e 47% a consideram moderada. Em outras palavras, o autônomo e o agregado vêm cobrindo parte da lacuna que a frota própria não consegue fechar.
A mão de obra também pesa no resultado. As despesas totais com pessoal equivalem a 37% do faturamento do setor: 18% com funcionários CLT, 6% com encargos trabalhistas e 13% com terceirizados, agregados e autônomos. Para Marcella Cunha, diretora-executiva da ABOL, a geração de empregos é uma das maiores contribuições dos operadores ao país, mas contratar e reter continua sendo um desafio constante, o que exige investimento em capacitação, produtividade e novas formas de atrair talentos.
Multimodalidade: o gargalo está nas interfaces
O estudo dedicou um capítulo à multimodalidade. Apenas 31% dos operadores oferecem serviços em mais de um modal, proporção que vai de 19% entre os pequenos a 44% entre os grandes. Do lado da carga, 80% do volume ainda segue em um único modal, 17% passam por dois e 3% por três ou mais.

O que isso significa para quem gerencia frota
Se contratar motorista é difícil e reter é ainda mais, cada profissional que entra na operação passa a valer mais. A frota precisa produzir mais com as mesmas pessoas e perder menos delas pelo caminho. Isso muda a gestão em três pontos:
Produtividade com quem já está na operação: com 37% do faturamento comprometido com pessoal, o ganho está em reduzir tempo parado, retrabalho e sinistros, e não em contratar mais. Veículo parado por acidente evitável, ou sem motorista para conduzi-lo, é custo sem receita.
Retenção com critério claro: reconhecer quem dirige com segurança e economia, e orientar quem precisa de ajuda antes que o mau hábito vire ocorrência, depende de dado objetivo e não de percepção do gestor. Motorista que se sente tratado com justiça tende a ficar.
Visibilidade sobre a parte terceirizada da frota: com 13% do faturamento indo para terceiros, agregados e autônomos, uma parcela relevante da operação roda fora do controle direto da empresa. A responsabilidade pela carga, porém, continua sendo da transportadora.
Integração de dados também começa dentro de casa. Se a falta de integração entre sistemas é apontada como entrave entre modais e operadores, o mesmo vale dentro da transportadora. Rastreamento, jornada, rota e ocorrências em sistemas separados dificultam qualquer decisão rápida.
Como a Ali Sat ajuda a produzir mais com a equipe que você tem
A telemetria da Ali Sat registra, com números objetivos, como cada veículo é conduzido: velocidade, frenagens, consumo, rota, tempo de viagem e paradas. Isso permite reconhecer os melhores motoristas com critério transparente, identificar onde orientar e treinar, e reduzir sinistros e desperdício de combustível. Menos veículo parado significa mais disponibilidade de frota, o recurso que mais falta ao setor.
Com a videotelemetria, a transportadora ganha o registro do que acontece na estrada, ferramenta de proteção do motorista e da operação, que ajuda a esclarecer ocorrências e a defender o profissional quando a versão dos fatos é contestada. É dado a serviço de quem dirige, e não vigilância.
E como rastreamento, telemetria e vídeo ficam na mesma plataforma, a gestão da frota própria e da agregada passa a ter uma única visão, sem sistemas fragmentados.





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