Tarifas dos EUA pressionam exportações brasileiras e mexem com a logística
- Lidiane de Jesus

- há 12 minutos
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O setor de comércio exterior brasileiro vive um momento de instabilidade. Desde 2025 sob pressão das políticas comerciais americanas, as empresas brasileiras enfrentaram em 2026 um novo capítulo: uma tarifa de até 12,5% sobre diversos produtos, somada a uma taxa de 25% anunciada anteriormente. O resultado é uma sobretaxa acumulada de até 37,5% para parte das exportações.
As novas medidas atingem cerca de 23,1% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, com base no comércio bilateral de 2024. Desse total, 16,5% das exportações estão sujeitas às duas tarifas simultaneamente.
Onde o impacto aparece primeiro
De acordo com o executivo, o primeiro efeito não é logístico, é econômico. Quando uma tarifa eleva significativamente o custo de entrada de um produto no mercado americano, exportador e comprador precisam reavaliar preço, margem, volume e continuidade dos pedidos.
Os setores mais expostos incluem máquinas e equipamentos, madeira, calçados, móveis e confecções. É nesses segmentos que a revisão de pedidos e a renegociação entre compradores e fornecedores tendem a aparecer primeiro.
O efeito em cadeia sobre a operação
Tudo começa no planejamento de demanda: se o produto brasileiro perde competitividade, o importador pode reduzir o pedido, suspender uma compra ou buscar outro fornecedor.
Esse ajuste se propaga por toda a cadeia, programação de produção, compra de insumos, formação de estoques e contratação de frete. Na sequência, os efeitos alcançam a consolidação de cargas, a reserva de espaço com armadores, a frequência de embarques e a programação portuária. Uma operação que antes tinha volumes previsíveis pode passar a lidar com lotes menores, embarques menos frequentes e maior tempo de estoque.
O que os números mostram até agora
As exportações brasileiras para os EUA caíram de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões em 2025. No primeiro semestre de 2026, somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% frente ao mesmo período de 2025. A participação americana nas exportações brasileiras também recuou, de 12,1% para 9,4% no mesmo intervalo.

O que isso significa para quem transporta a carga
Esse cenário de embarques menos previsíveis, lotes menores e mudanças rápidas de rota e frequência não fica restrito ao comércio exterior, ele chega direto na operação de quem transporta essas cargas dentro do Brasil, desde o pátio até o porto.
Quando a demanda muda de padrão de um mês para o outro, a transportadora que enxerga sua frota em tempo real consegue se adaptar mais rápido: redistribuir veículos, ajustar rotas, prever ociosidade e negociar com embarcadoras com base em dados reais de operação, e não em estimativas.
Ter visibilidade operacional constante, não só nos momentos de crise, é o que permite a uma frota responder com agilidade a cenários de incerteza como esse, sem perder eficiência nem segurança na estrada.




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