Por que a logística consome até 18% do PIB brasileiro e o impacto disso no transporte rodoviário
- Felipe Vianna

- há 4 dias
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Quando a gente fala que “a logística no Brasil é cara”, não é só sensação de quem está na estrada. Estudos recentes mostram que os custos logísticos no país representam entre 15% e 18% do PIB, algo em torno de R$ 1,83 trilhão em 2024, segundo o ILOS (Instituto de Logística e Supply Chain).
Para comparar: em economias desenvolvidas, como os Estados Unidos, esse percentual gira em torno de 8% do PIB.
O Brasil gasta mais que o dobro da fatia do PIB dos EUA só para movimentar mercadorias. Isso corrói competitividade, aperta a margem de quem transporta e de quem produz e torna a gestão de frotas ainda mais estratégica.
De onde vem essa conta tão alta?
1. Dependência do modal rodoviário: hoje, cerca de 62% das cargas no Brasil são transportadas por rodovias, enquanto o modal ferroviário responde por aproximadamente 19% e o aquaviário (hidrovias + cabotagem) por 15%.
Rodovia é flexível e essencial, mas, em longas distâncias, tem custo unitário mais alto por tonelada por quilômetro, principalmente com: diesel caro, pedágios, manutenção pesada e desgaste acelerado da frota.
2. Filas e gargalos em pontos críticos: uma parte relevante do custo logístico não está só no km rodado, mas no caminhão parado.
Isso significa horas (ou dias) com o veículo ocioso, consumo de combustível em marcha lenta, motorista parado, mas em operação e contratos em risco por atraso.
3. Uso limitado de dados e ferramentas de planejamento: mesmo em ambientes com infraestrutura física razoável, o Brasil ainda sofre com planejamento pouco integrado e baixa utilização de ferramentas analíticas.
Faltam, por exemplo: modelos de alocação de berços em portos, simulação de filas e capacidade de atendimento, análise preditiva de chegadas de navios e caminhões e revisão de layout para melhor amortecer fluxos internos.
Sem isso, a consequência é clara: esperas elevadas, queda de produtividade e aumento de custo.
4. Bilhões “evaporando” nos portos: só em 2024, o Brasil gastou cerca de US$ 2,3 bilhões (aprox. R$ 13 bilhões) com demurrage, a famosa sobrestadia de navios, quando o navio fica além do tempo contratado no porto por falta de agilidade na operação.
Esse dinheiro sai, no fim do dia, da cadeia produtiva e volta diluído nos fretes, nos preços e na margem das empresas.

O peso do mar na logística brasileira
Em 2025, nada menos que 86,83% de tudo que o Brasil exportou (em valor FOB) saiu por via marítima.
Isso reforça um ponto importante: quando o porto trava, toda a cadeia trava com ele, o caminhão vira “estoque sobre rodas”, parado em fila e a conta desse atraso vai parar no custo logístico agregado do país.
Não é só problema de porto, é problema de toda a cadeia logística, incluindo o transporte rodoviário.
Quanto poderíamos economizar com uma logística mais inteligente?
O Plano Nacional de Logística (PNL 2025) simulou cenários com:
aumento da participação de ferrovias e modais aquaviários;
melhor uso de dados e ferramentas de planejamento;
intervenções coordenadas nos corredores logísticos.
Resultado: uma redução potencial de 16% no custo total de transporte, equivalente a cerca de 0,8% do PIB. Não é pouca coisa.
Esses ganhos vêm de menores custos unitários de frete, menos congestionamento e filas, maior previsibilidade e menos desperdício de combustível e tempo.
E o que tudo isso significa para quem está com a frota na estrada?
Para transportadoras, operadores logísticos e empresas com frota própria, essa realidade traz alguns recados diretos:
1. O “custo Brasil” vai continuar na conta – então você precisa dominar os seus números. Você não controla investimento em ferrovia, ampliação de hidrovias e velocidade de obra em porto.
Mas você controla a própria operação, e isso faz diferença enorme para saber quanto custa cada rota, entender o impacto de filas, esperas e retornos vazios e enxergar o peso de ociosidade da frota no seu resultado.
2. Dados e tecnologia deixam de ser diferencial e viram obrigação num país onde o custo logístico consome até 18% do PIB, o modal rodoviário carrega a maior parte da carga e gargalos se traduzem em bilhões de reais em demurrage, não faz mais sentido gerir frota “no papel e na intuição”.
Como a gestão de frotas ajuda a reduzir o impacto desse cenário
Você não muda o PIB, mas pode mudar quanto da sua realidade entra nesses 15% a 18% de custo logístico.
Com as nossas soluções, sua empresa pode:
1. Enxergar a operação em tempo real
Rastreamento de veículos com visão completa de rotas, posições e tempos de parada;
acompanhamento de filas e gargalos em pontos recorrentes (portos, armazéns, bases de clientes);
uso de cercas virtuais para monitorar acessos críticos.
2. Medir o custo real de cada rota e cliente
cruzar quilometragem, tempo de viagem, tempo parado, consumo e pedágio;
entender exatamente onde o caminhão produz valor e onde ele só acumula custo;
negociar fretes e contratos com base em dados concretos, não em estimativas.
3. Aumentar segurança e disponibilidade com videotelemetria
monitorar de perto o comportamento do motorista (fadiga, distração, excesso de velocidade);
reduzir acidentes e sinistros que imobilizam veículo em oficina;
usar imagens e dados para treinamento contínuo da equipe.
Menos acidente = mais caminhão rodando = menor custo fixo por km rodado.
4. Apoiar decisões estratégicas com relatórios e insights
Com relatórios periódicos, você pode:
identificar quais corredores logísticos valem mais a pena;
priorizar clientes, regiões e operações com melhor relação custo/resultado;
planejar renovação de frota, manutenção e expansão com base em tendência real, e não só na sensação do dia a dia.
O custo da logística é alto, mas a ineficiência é opcional
O fato de a logística consumir entre 15% e 18% do PIB brasileiro, contra cerca de 8% em países como os EUA, não vai mudar da noite para o dia.
Mas existe um espaço enorme para reduzir desperdícios, aumentar a eficiência e transformar dados em decisões melhores.
Enquanto o país discute equilíbrio modal, portos e ferrovias, quem está na operação rodoviária pode, e deve, usar tecnologia para não carregar sozinho o peso do “custo Brasil” nas costas da frota.
Nós podemos te auxiliar nesse ponto: ajudando empresas a transformar rastreamento, telemetria e videotelemetria em gestão inteligente de frotas, com mais controle, menos gargalo e mais resultado em cada quilômetro rodado.




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