Safra 2025/26 deve bater recorde e mostra grande déficit de armazenagem
- Felipe Vianna

- há 22 horas
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O Brasil caminha para mais uma safra histórica e, junto com ela, volta um gargalo que o setor já conhece bem: falta espaço para guardar grãos. Segundo a Conab, a produção de grãos na safra 2025/26 pode chegar a 353,4 milhões de toneladas. O problema é que a infraestrutura de armazenagem não acompanhou esse crescimento: dados citados pela CNA indicam um déficit de 134,1 milhões de toneladas, com capacidade estática para armazenar apenas 61,7% da produção.
Quando isso acontece, a logística entra em modo “compressão”: a colheita se concentra em poucos meses, os caminhões viram armazém temporário, filas aumentam e o custo de escoamento sobe.
O que é “déficit de armazenagem” na prática
Déficit de armazenagem significa que a colheita chega mais rápido do que a capacidade de receber e estocar. O efeito dominó costuma ser este:
1. Produtor vende mais cedo (às vezes no pior preço, por falta de silo);
2. Mais caminhões ao mesmo tempo indo para terminais e armazéns;
3. Filas e espera para descarregar;
4. Caminhão parado = custo rodando (diária, motorista, oportunidade, risco);
5. Frete mais caro e menos previsível.
Quando parte da produção fica na propriedade sem estrutura adequada, há risco de perda de qualidade por clima, insetos e roedores.
Em 2022, o Brasil tinha cerca de 160 milhões de toneladas de capacidade estática de armazenagem para granéis sólidos agrícolas (pesquisa de estoques do IBGE).
O Mato Grosso concentra 26% dessa oferta, com 42,5 milhões de toneladas, mas ainda assim armazena apenas 50,5% da própria produção.
No Matopiba (MA, TO, PI e BA), a capacidade de armazenamento citada é de 44,1% da colheita.

Onde mais cresce produção, a infraestrutura “fica curta” e isso explode na logística
Não é só silo: rodovia ruim aumenta a conta
Mesmo que a armazenagem fosse perfeita, o escoamento ainda apanha da infraestrutura rodoviária. Pesquisa CNT de Rodovias 2025 indica que a qualidade do pavimento eleva, em média, 31,2% os custos operacionais do transporte no Brasil.
Como exemplo no Arco Norte, investimento de R$ 400 milhões na BR-364 (Rondônia) e estimativa de movimentação de 6,5 milhões de toneladas de grãos até maio no corredor Vilhena → Porto Velho, conforme Embrapa.
O que isso muda para transportadoras e frotas do agro
Se você atende produtores, cooperativas, tradings ou indústrias ligadas ao agro, o cenário típico de safra com déficit de armazenagem gera:
picos de demanda por caminhão (e falta de disponibilidade)
mais tempo parado em fila/pátio/terminal (custo invisível)
maior risco operacional (pressa, improviso, paradas inseguras)
mais disputa comercial (diárias, reajustes, SLA e penalidades)
Em ano de safra recorde com gargalo de armazenagem, a vantagem competitiva é controle operacional. Com rastreamento + regras de rota/parada e (quando aplicável) videotelemetria, dá para:
reduzir improviso e desvios
atacar tempo ocioso com dados (por ponto de descarga/rota)
melhorar disciplina e segurança em períodos críticos
dar evidência para renegociação de diárias e SLAs
“Quando falta armazenagem, o caminhão vira ‘silo sobre rodas’ — e isso é o jeito mais caro de estocar grão. Safra forte exige gestão forte: previsibilidade de rota, controle de tempo parado e regra clara de operação. Quem trabalha com evidência sofre menos e protege margem.”
Alisson de Freitas, CEO Ali Sat




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