top of page

Safra 2025/26 deve bater recorde e mostra grande déficit de armazenagem

O Brasil caminha para mais uma safra histórica e, junto com ela, volta um gargalo que o setor já conhece bem: falta espaço para guardar grãos. Segundo a Conab, a produção de grãos na safra 2025/26 pode chegar a 353,4 milhões de toneladas. O problema é que a infraestrutura de armazenagem não acompanhou esse crescimento: dados citados pela CNA indicam um déficit de 134,1 milhões de toneladas, com capacidade estática para armazenar apenas 61,7% da produção.


Quando isso acontece, a logística entra em modo “compressão”: a colheita se concentra em poucos meses, os caminhões viram armazém temporário, filas aumentam e o custo de escoamento sobe.


O que é “déficit de armazenagem” na prática


Déficit de armazenagem significa que a colheita chega mais rápido do que a capacidade de receber e estocar. O efeito dominó costuma ser este:


1. Produtor vende mais cedo (às vezes no pior preço, por falta de silo);

2. Mais caminhões ao mesmo tempo indo para terminais e armazéns;

3. Filas e espera para descarregar;

4. Caminhão parado = custo rodando (diária, motorista, oportunidade, risco);

5. Frete mais caro e menos previsível.


Quando parte da produção fica na propriedade sem estrutura adequada, há risco de perda de qualidade por clima, insetos e roedores.


Em 2022, o Brasil tinha cerca de 160 milhões de toneladas de capacidade estática de armazenagem para granéis sólidos agrícolas (pesquisa de estoques do IBGE).


O Mato Grosso concentra 26% dessa oferta, com 42,5 milhões de toneladas, mas ainda assim armazena apenas 50,5% da própria produção.


No Matopiba (MA, TO, PI e BA), a capacidade de armazenamento citada é de 44,1% da colheita.


Mãos segurando e soltando grãos de soja em um campo sob céu azul. Há uma pilha de grãos ao fundo, transmitindo colheita abundante.

Onde mais cresce produção, a infraestrutura “fica curta” e isso explode na logística


Não é só silo: rodovia ruim aumenta a conta


Mesmo que a armazenagem fosse perfeita, o escoamento ainda apanha da infraestrutura rodoviária. Pesquisa CNT de Rodovias 2025 indica que a qualidade do pavimento eleva, em média, 31,2% os custos operacionais do transporte no Brasil.


Como exemplo no Arco Norte, investimento de R$ 400 milhões na BR-364 (Rondônia) e estimativa de movimentação de 6,5 milhões de toneladas de grãos até maio no corredor Vilhena → Porto Velho, conforme Embrapa.


O que isso muda para transportadoras e frotas do agro


Se você atende produtores, cooperativas, tradings ou indústrias ligadas ao agro, o cenário típico de safra com déficit de armazenagem gera:


  • picos de demanda por caminhão (e falta de disponibilidade)


  • mais tempo parado em fila/pátio/terminal (custo invisível)


  • maior risco operacional (pressa, improviso, paradas inseguras)


  • mais disputa comercial (diárias, reajustes, SLA e penalidades)


Em ano de safra recorde com gargalo de armazenagem, a vantagem competitiva é controle operacional. Com rastreamento + regras de rota/parada e (quando aplicável) videotelemetria, dá para:


  • reduzir improviso e desvios

  • atacar tempo ocioso com dados (por ponto de descarga/rota)

  • melhorar disciplina e segurança em períodos críticos

  • dar evidência para renegociação de diárias e SLAs


“Quando falta armazenagem, o caminhão vira ‘silo sobre rodas’ — e isso é o jeito mais caro de estocar grão. Safra forte exige gestão forte: previsibilidade de rota, controle de tempo parado e regra clara de operação. Quem trabalha com evidência sofre menos e protege margem.”

Alisson de Freitas, CEO Ali Sat

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page