top of page

Seguro obrigatório: ANTT passa a fiscalizar automaticamente a partir de julho

A partir de 1º de julho, a forma como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) fiscaliza os seguros obrigatórios do transporte rodoviário de cargas mudou completamente. Até então, a fiscalização tinha caráter apenas orientativo e educativo. A partir desta data, passou a contar com verificação automática e efetiva da contratação e da vigência dos seguros exigidos por lei.


A mudança é resultado do fim do período de homologação do webservice que integra as informações das seguradoras diretamente ao sistema da ANTT. Na prática, isso significa que a comprovação dos seguros deixa de ser uma formalidade e passa a ser critério objetivo tanto para novas inscrições quanto para a manutenção dos registros já ativos no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC).


O que está em jogo para o transportador


O alerta é claro: conforme o artigo 7º da Portaria SUROC nº 27/2025, a ausência de comprovação da contratação ou da vigência dos seguros obrigatórios implica na suspensão do RNTRC, até que a situação seja regularizada. Para uma transportadora, isso pode significar a paralisação completa das operações, um risco que nenhuma empresa pode se dar ao luxo de correr por falta de atenção administrativa.


Além da verificação automática junto à ANTT, é importante lembrar que as fiscalizações presenciais continuam acontecendo nas estradas. Por isso, manter sempre no veículo os documentos que comprovam a contratação dos seguros, como o resumo da apólice e o certificado emitido pela seguradora, continua sendo essencial.


Quais são os seguros obrigatórios


De acordo com o artigo 13 da Lei nº 11.442/2007, toda transportadora rodoviária de cargas precisa manter três seguros em vigor:


RCTR-C (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga) — cobre perdas ou danos à carga decorrentes de acidentes com o veículo, como colisão, tombamento, capotamento, incêndio ou explosão.


RC-DC (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga) — cobre prejuízos decorrentes de roubo, furto, apropriação indébita, estelionato e extorsão da carga durante o transporte.


RC-V (Responsabilidade Civil de Veículo) — cobre danos materiais e corporais causados a terceiros pelo veículo durante a operação de transporte. Este seguro é obrigatório inclusive para quem opera exclusivamente com frota própria.


Na subcontratação de Transportador Autônomo de Cargas (TAC), a responsabilidade pela contratação dos três seguros é da transportadora contratante, emissora do conhecimento de transporte. Os seguros RCTR-C e RC-DC ficam a cargo da empresa emissora do conhecimento e do manifesto; já o RC-V deve ser contratado pela transportadora em nome do TAC subcontratado, para cada viagem realizada.


Por que isso é também uma questão de gestão de frota


A exigência de comprovação automática dos seguros é um lembrete de algo que toda transportadora já sabe na prática: regularidade documental e gestão de risco andam juntas. Empresas que têm visibilidade real sobre suas operações, quem dirige, como dirige, em que condições os veículos circulam, não apenas reduzem a exposição a acidentes, como também fortalecem a base que sustenta a relação com as seguradoras.


É aqui que a videotelemetria se torna uma aliada direta da gestão de seguros. Ao registrar com precisão o que acontece em cada viagem, ela:


  • Apoia a reconstrução de acidentes, fornecendo evidências objetivas para sinistros, evitando disputas sobre responsabilidade e agilizando o processo junto à seguradora;


  • Identifica riscos antes que se tornem sinistros, através do monitoramento de comportamentos como frenagens brruscas, excesso de velocidade e fadiga do motorista;


  • Subsidia treinamentos direcionados, reduzindo a reincidência de comportamentos de risco e, consequentemente, a frequência de acidentes que acionam os seguros obrigatórios;


  • Fortalece o histórico de sinistralidade da frota, um fator que pode impactar diretamente as condições e os custos das apólices ao longo do tempo.



Em um cenário onde a regularidade dos seguros passa a ser monitorada automaticamente pela ANTT, ter uma gestão de frota estruturada, que une controle documental, segurança viária e inteligência operacional, deixa de ser apenas uma boa prática e se torna parte da estratégia de continuidade do negócio.


Seguro obrigatório: ANTT passa a fiscalizar automaticamente a partir de julho

Recomendações práticas para o gestor de frotas


  • Confirme com sua seguradora se os três seguros obrigatórios (RCTR-C, RC-DC e RC-V) estão ativos e corretamente registrados no sistema integrado com a ANTT;


  • Centralize e digitalize os comprovantes (apólices e certificados), garantindo acesso rápido tanto para fiscalização presencial quanto para auditorias internas;


  • Caso opere com TACs subcontratados, revise os contratos para garantir que a responsabilidade pelos seguros esteja claramente atribuída e cumprida;


  • Avalie o histórico de sinistros da frota e identifique se há padrões de risco que possam ser corrigidos com monitoramento e treinamento;


Em caso de dúvidas sobre a regularização, busque orientação jurídica especializada.


Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page