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ICMS sobre fretes: Brasil arrecada R$ 14,2 Bi em dois anos, aponta estudo

Um levantamento inédito, conduzido pela Qive com base em 194,2 milhões de Conhecimentos de Transporte Eletrônicos (CT-es) emitidos entre 2024 e 2025, revela a real dimensão do transporte de cargas no Brasil. No período analisado, o país movimentou 34,2 trilhões de quilos de mercadorias, gerando R$ 211 bilhões em fretes e R$ 14,2 bilhões em ICMS arrecadado sobre essas operações.


Os números confirmam o papel central do transporte rodoviário na economia brasileira e escancaram desigualdades regionais e setoriais que merecem atenção de quem gerencia frotas e operações logísticas.


Varejo lidera em volume, mas com ticket médio baixo


O setor de varejo aparece como o maior gerador de fretes em quantidade de operações, mas com valor médio por CT-e relativamente baixo, em torno de R$ 1,5 mil. Isso reflete a natureza pulverizada e capilar da distribuição de bens de consumo, com entregas frequentes e de menor volume individual.


Já os setores de energia e agronegócio se destacam pelo valor: o ticket médio de fretes ligados à energia chega a R$ 11,47 mil, enquanto o agronegócio registra média de R$ 5,4 mil por operação. São cargas de maior valor agregado, frequentemente associadas a distâncias mais longas e exigências logísticas mais complexas.


São Paulo concentra mais da metade das operações


Outro dado relevante do estudo é a concentração geográfica: o estado de São Paulo responde por 56,6% de todos os CT-es emitidos no país. A predominância paulista reforça o papel do estado como hub logístico nacional, mas também levanta questões sobre a necessidade de descentralização e investimento em infraestrutura em outras regiões.


Reforma Tributária deve redesenhar a lógica logística


Um dos pontos mais estratégicos do levantamento diz respeito à Reforma Tributária. Com a transição do ICMS para o novo modelo de IBS e CBS, que ganha uma nova etapa a partir de agosto de 2026, a lógica de localização de centros de distribuição tende a mudar significativamente.


Até hoje, muitas empresas escolhem a localização de seus CDs com base em benefícios fiscais estaduais. Com a uniformização tributária trazida pela reforma, esse critério perde relevância, e a decisão passa a ser guiada por fatores puramente logísticos: distância até os mercados consumidores, qualidade das rodovias e tempo de entrega.


Essa mudança de paradigma exige das empresas de transporte e das áreas de logística um novo nível de planejamento, baseado em dados operacionais reais, e não apenas em vantagens fiscais que deixarão de existir.


ICMS sobre fretes: Brasil arrecada R$ 14,2 Bi em dois anos, aponta estudo

O que esses números significam para a gestão de frotas


Em um cenário de alta movimentação de cargas, concentração regional e reorganização logística motivada pela reforma tributária, ter visibilidade completa sobre a operação deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade.


Decisões sobre rotas, tempo de viagem, eficiência operacional e até a localização de centros de distribuição dependem cada vez mais de dados confiáveis sobre o comportamento real da frota nas estradas. É exatamente aqui que a videotelemetria se torna uma aliada estratégica: ela oferece dados objetivos sobre jornadas, comportamento de condução e eficiência das rotas, permitindo que gestores tomem decisões baseadas em evidências, e não em suposições.


Mais do que monitorar, trata-se de gerar inteligência para otimizar operações em um mercado que movimenta trilhões de quilos de carga e bilhões em impostos todos os anos.


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