Infraestrutura em São Paulo x gargalos viários: por que o custo do transporte sobe 14,6%
- Lidiane de Jesus

- há 1 dia
- 4 min de leitura
Quando o assunto é qualidade de rodovias, São Paulo é referência no Brasil.
A 28ª Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada em dezembro de 2025, mostrou que o estado voltou ao topo do ranking nacional, confirmando o peso da infraestrutura paulista para a economia do país.
Mas o estudo traz um alerta importante para quem vive de frete: mesmo liderando em qualidade, gargalos na malha viária paulista elevam o custo operacional do transporte em 14,6%, reduzindo competitividade e aumentando o impacto ambiental.
Para transportadoras, embarcadores e empresas com frota própria, isso significa uma coisa simples: até nas melhores estradas do Brasil, a conta logística está mais cara do que poderia ser.
São Paulo lidera o ranking, mas não está livre de problemas
A CNT avaliou 114.197 km de rodovias em todo o país. Desse total, 10.970 km estão em São Paulo, o que representa 9,6% de toda a malha analisada.
No estado, as condições foram classificadas assim:
49,4% – Ótimo
27,7% – Bom
22,1% – Regular
0,7% – Ruim
0,1% – Péssimo
Além disso, 7 das 10 melhores rodovias do Brasil estão em São Paulo, segundo o levantamento, reforçando o papel do estado como “motor” da economia nacional.
Sim, São Paulo tem, em média, rodovias muito melhores que o resto do país.
Mas isso não quer dizer que está tudo resolvido.
Gargalos que custam caro: +14,6% no custo do transporte
A mesma pesquisa aponta que as condições do pavimento em trechos específicos da malha paulista aumentam o custo operacional do transporte em 14,6%.
Esse impacto vem de fatores como:
trechos com pavimento desgastado ou remendado;
aumento do consumo de combustível;
maior desgaste de pneus e suspensão;
redução da velocidade média e aumento do tempo de viagem.
A CNT estima que seriam necessários R$ 5,74 bilhões em ações emergenciais (reconstrução e restauração de pavimento) para recuperar as rodovias paulistas nesses pontos críticos.
E o problema não é só financeiro: o estudo calcula um consumo excessivo de 62,4 milhões de litros de diesel em 2025, apenas por causa da ineficiência do pavimento. Isso gerou um prejuízo estimado de R$ 359,19 milhões aos transportadores, além da emissão adicional de 165,14 mil toneladas de gases de efeito estufa.
Em resumo: pavimento ruim é custo direto na planilha e retrocesso ambiental ao mesmo tempo.
Mesmo com concessões, o risco não desaparece
O lado positivo: São Paulo tem menos pontos críticos do que o restante do Brasil, foram 24 pontos críticos registrados em 2025, contra 2.146 no país inteiro.
Isso se deve, principalmente, aos investimentos via concessões e parcerias público-privadas, como:
trechos concedidos com manutenção contínua;
inauguração do trecho norte do Rodoanel, conectando Dutra e Fernão Dias e melhorando o fluxo de cargas na região metropolitana.
Ainda assim, o setor se preocupa com a falta de recursos federais específicos para infraestrutura rodoviária paulista em 2025, um sinal de alerta para o futuro da manutenção e expansão dessa malha.
O que isso significa na prática para quem tem frota?
Para quem está na operação, esses números se traduzem em desafios bem concretos:
1. Custo maior por km rodado
Mesmo rodando em um dos melhores estados em termos de infraestrutura, sua frota:
gasta mais combustível do que deveria em certos trechos;
desgasta mais pneus e componentes de suspensão;
demanda mais manutenção corretiva.
Se a empresa não mede isso, o aumento de custo “some” no meio da planilha e aparece apenas na margem apertada no final do mês.
2. Impacto nos prazos e na confiabilidade
Trechos com pavimento ruim:
reduzem velocidade média;
aumentam tempo de viagem;
atrapalham o cumprimento de janelas de carga e descarga.
Isso gera atrasos, multas contratuais, retrabalho e perda de confiança do cliente.
3. Risco operacional e de segurança
Buracos, desníveis e remendos mal feitos:
aumentam o risco de acidente;
podem causar danos graves aos veículos;
impactam diretamente a segurança do motorista e da carga.
Como a tecnologia de gestão de frotas ajuda a enfrentar esse cenário
Você não controla a qualidade do pavimento, mas controla como reage a ele.
Com uma plataforma de gestão de frotas como a da Ali Sat, é possível:
1. Medir o impacto real das rotas
acompanhar consumo de combustível por rota e tipo de via;
cruzar dados de velocidade média, paradas e eventos com mapas;
identificar trechos que mais geram custo e risco.
Isso permite rever rotas, renegociar fretes e corrigir planejamentos com base em dados, não em achismo.
2. Reduzir desgastes e desperdícios
A partir da telemetria, você consegue:
monitorar excesso de velocidade, frenagens bruscas e condução agressiva;
treinar motoristas para dirigir de forma mais suave em trechos ruins;
evitar que o pavimento ruim seja “turbinado” por um estilo de direção que só piora o desgaste.
3. Aumentar segurança com videotelemetria
Com câmeras embarcadas:
você registra eventos causados por buracos, fechadas, desvios forçados etc.;
tem evidências para discutir avarias, sinistros e até ações de cobrança quando necessário;
consegue analisar trechos críticos e planejar melhor horários e rotas.
4. Planejar manutenção com mais inteligência
Usando dados de uso real da frota (km rodado, tipo de rota, perfil de carregamento):
você antecipa revisões em veículos que rodam mais em trechos problemáticos;
reduz paradas inesperadas;
mantém índices de disponibilidade mais altos mesmo em ambientes hostis.

Rodovia boa ajuda, mas não resolve tudo
O fato de São Paulo liderar o ranking de qualidade das rodovias e, ainda assim, ter um aumento de 14,6% no custo operacional do transporte por conta de gargalos de pavimento mostra uma verdade dura do transporte brasileiro: infraestrutura importa, mas gestão importa ainda mais.
Você não controla o investimento público nem o cronograma de obras,
mas pode controlar:
como utiliza cada quilômetro de estrada;
como cuida da sua frota;
como protege seus motoristas;
como transforma dados de rota, consumo e manutenção em decisão.
A Ali Sat está justamente nesse ponto da jornada: ajudar empresas a enxergar o impacto da infraestrutura na operação e usar rastreamento, telemetria e videotelemetria para rodar com mais segurança, eficiência e previsibilidade, mesmo em um cenário onde o asfalto custa mais do que parece.




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