Modernização do transporte de cargas: o que a nova agenda da ANTT muda para transportadoras e frotas
- Lidiane de Jesus
- há 2 horas
- 4 min de leitura
O transporte rodoviário e multimodal de cargas é, literalmente, o que mantém o Brasil girando. Mais de 60% de toda a produção nacional circula pelas estradas, conectando campo, indústria, comércio e serviços com consumidores em todas as regiões do país.
Diante desse peso econômico e social, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vem reforçando uma agenda de modernização do setor, ampliando o diálogo com transportadoras, caminhoneiros autônomos, cooperativas e embarcadores. Essa movimentação foi consolidada na iniciativa TRC 4.0 – Modernização, Eficiência e Competitividade Nacional, que mira uma regulação mais digital, integrada e alinhada à realidade de quem vive da carga no dia a dia.
Neste artigo, mostramos o que está em jogo nessa agenda e como isso impacta diretamente a gestão de frotas, especialmente para empresas que buscam eficiência, segurança e competitividade usando tecnologia, como as soluções da Ali Sat.
O que é o TRC 4.0 e por que isso importa para o setor?
O TRC 4.0 é uma agenda estruturante da ANTT que orienta a transformação regulatória, digital e operacional do transporte de cargas no Brasil. A ideia é sair de um modelo burocrático e reativo para um ambiente:
mais previsível em termos de regras;
mais digitalizado, com dados em tempo real;
mais integrado entre modais (rodoviário, ferroviário, multimodal);
mais competitivo, com redução de assimetrias e informalidade.
À frente desse trabalho está a Superintendência de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas (SUROC), responsável por organizar o mercado, atualizar normas e criar condições mais justas para todos os perfis de transportadores, de grandes frotas a caminhoneiros autônomos.
Na prática, isso significa:
uso intensivo de dados para fiscalizar e planejar;
regras mais claras para quem atua de forma profissional;
maior integração entre os sistemas da ANTT e as rotinas das empresas.
A força dos dados: RNTRC, frota cadastrada e Pagamento Eletrônico de Frete
Um dos pilares dessa modernização é o uso da base do RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas) como fonte de inteligência do setor.
Segundo a ANTT, o RNTRC reúne cerca de 860 mil transportadores cadastrados, entre empresas, autônomos e cooperativas. Essa frota inclui aproximadamente 1,7 milhão de veículos de tração e 1 milhão de implementos rodoviários, o que torna o registro uma das maiores bases logísticas do país.
Só em 2025, foram realizados mais de 962 mil atendimentos relacionados ao RNTRC, sendo 766 mil operações de movimentação de frotas entre transportadores e 383 mil pedidos via ANTT Digital.
Outro dado importante é o avanço do Pagamento Eletrônico de Frete (PEF):
foram cerca de 20 milhões de fretes pagos eletronicamente em um ano, com crescimento de 7,1% em relação ao período anterior. Isso aumenta transparência, reduz conflitos comerciais e ajuda a combater práticas desleais no mercado.
Quanto mais dados confiáveis existem sobre quem transporta, onde, como e por quanto, mais robusta pode ser a regulação e mais previsível fica o ambiente para quem trabalha corretamente.

Diálogo com o setor: regulação construída com quem está na estrada
Um ponto forte da nova fase da ANTT é o foco em escuta ativa e diálogo estruturado com quem opera na ponta:
entidades como CNT e federações regionais;
associações de transportadoras;
cooperativas e representantes de autônomos.
Esse diálogo tem como objetivo alinhar a regulação à realidade operacional, aumentar a segurança jurídica, fortalecer a concorrência leal e combater a informalidade e o transporte irregular.
Para transportadoras profissionais, isso tende a ser positivo: quem investe em frota, tecnologia, compliance e gestão estruturada tem mais chances de competir em um mercado organizado do que em um cenário onde o “jeitinho” fala mais alto.
Multimodalidade e eficiência logística
É importante entender que a ANTT também atua na integração com outros modais (ferrovias, por exemplo), reforçando o conceito de logística multimodal.
Essa visão busca reduzir o custo logístico total, combinando modais de forma inteligente, desafogar estradas em trechos de longa distância, aumentar a competitividade do Brasil no comércio interno e externo e apoiar um modelo mais sustentável de transportes.
Para o gestor de frota, isso significa que, cada vez mais, ele fará parte de cadeias logísticas integradas, em que informação em tempo real, rastreabilidade e previsibilidade serão exigências básicas.
Segurança, formalização e impacto social
Outro ponto da agenda da ANTT é reforçar que regular o transporte de cargas também é cuidar de pessoas: motoristas, equipes de pátio, comunidades ao redor das rodovias e consumidores que dependem de abastecimento constante.
Com regras claras, fiscalização orientada por dados e incentivo à formalização é possível reduzir riscos nas estradas, minimizar acidentes e garantir que mercadorias essenciais (alimentos, remédios, combustíveis) cheguem ao destino com mais segurança, confiabilidade e qualidade.
O que isso muda, na prática, para a gestão de frotas?
Do nosso ponto de vista e dos clientes que usam nossas soluções, essa agenda da ANTT reforça um caminho que já está em curso há alguns anos:
Profissionalização total da gestão de frota: quem ainda trabalha sem controle de jornada, rota, manutenção e custo por km ficará cada vez mais vulnerável.
Sistemas de rastreio, telemetria e videotelemetria deixam de ser “opção” e passam a ser parte do kit básico de competitividade.
Dados como base para decisões: se a ANTT usa grandes bases de dados para regular, o transportador precisa usar seus próprios dados para planejar, cortar desperdícios e provar valor ao cliente.
Informações de rota, tempo parado, consumo, estilo de condução e ocorrências viram evidência para negociação de frete, revisão de contratos e definição de rotas mais lucrativas.
Compliance e transparência em destaque: com o fortalecimento do PEF e da fiscalização em cima do RNTRC, práticas irregulares tendem a ser mais facilmente identificadas.
Operar de forma alinhada à regulação passa a ser diferencial na venda de serviços: grandes embarcadores tendem a priorizar quem é confiável, rastreável e transparente.
Integração entre sistemas e parceiros
A digitalização da ANTT (atendimentos online, RNTRC, dados de frete) abre espaço para maior integração entre sistemas de gestão de frota, ERPs e plataformas governamentais.
Quem estiver preparado tecnologicamente vai conseguir se adaptar mais rápido às novas exigências e oportunidades.
Enquanto a ANTT avança com o TRC 4.0 e reforça a importância de um transporte de cargas mais moderno, eficiente e transparente, nós estamos ao lado de quem precisa transformar essas diretrizes em resultado no dia a dia, do asfalto ao painel de controle do gestor de frota.
Se o transporte de cargas é a espinha dorsal da economia brasileira, a boa gestão de frotas é o coração que mantém essa estrutura batendo forte.
