Multiplicador de pedágio sobe 50% para caminhões: entenda o impacto no setor
- Felipe Vianna

- há 18 horas
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Uma mudança na metodologia de cálculo do pedágio para veículos comerciais voltou a gerar questionamentos do setor de transporte. A alteração está prevista nos projetos da 6ª Etapa do Programa de Concessões de Rodovias Federais e aumenta em 50% o multiplicador aplicado aos eixos de veículos comerciais leves e pesados, uma mudança que pode pesar significativamente no custo operacional das transportadoras.
Entender como essa nova regra funciona, o tamanho do seu impacto financeiro e como o setor está reagindo é fundamental para qualquer gestor de frota que roda em rodovias concedidas.
O que muda no cálculo do pedágio
Nas etapas anteriores dos programas de concessão, cada eixo de um veículo comercial correspondia a duas vezes a Tarifa Básica de Pedágio (TBP). Com a nova metodologia, esse valor passa a ser três vezes a TBP por eixo. Como caminhões e ônibus pagam pedágio de acordo com o número de eixos, o efeito prático é direto: o valor total pago por viagem sobe substancialmente.
Na prática, isso significa que um caminhão de oito eixos passa a pagar o equivalente a 12 eixos, enquanto um veículo de nove eixos passa a pagar o equivalente a 13,5 eixos, um salto expressivo em relação à metodologia anterior.
O tamanho do impacto: R$ 42 bilhões
A Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT) já havia questionado essa alteração em julho, ao analisar sete projetos de concessão que devem adotar a nova metodologia. Com base nesses projetos, a entidade estimou um custo adicional de R$ 42 bilhões em pedágios ao longo da vigência dos contratos, um número que dá a dimensão do impacto financeiro que a mudança pode representar para o setor como um todo.
Segundo a ANUT, a alteração foi identificada inicialmente na modelagem da concessão da BR-116/392/RS (Rota Portuária do Sul) e, posteriormente, constatada também no projeto da BR-116/251/MG (Rota Gerais).
Setor cobra transparência sobre os critérios
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) levou o tema ao Ministério dos Transportes nesta semana, pedindo esclarecimentos sobre os critérios técnicos, econômicos e regulatórios que fundamentaram a mudança. Segundo a entidade, a alteração pode afetar não apenas os custos logísticos, mas também os preços dos produtos transportados e as tarifas do transporte intermunicipal de passageiros.
A ANUT já havia levantado um ponto sensível sobre o processo: segundo a associação, a mudança na metodologia ocorreu sem análise de impacto regulatório e sem audiência pública específica para discutir os novos multiplicadores, o que motivou o envio de ofícios à ANTT, ao Ministério dos Transportes e ao Tribunal de Contas da União.

Fiscalização de peso também está em pauta
Na mesma reunião, foi discutida a regulamentação da fiscalização do peso bruto total (PBT) dos veículos. O Ministério dos Transportes informou que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) ficará responsável por definir os critérios de fiscalização, com detalhes como limite de peso e tipos de carga abrangidos ainda a serem discutidos em workshop específico.
Por que isso importa para a gestão de frota
Enquanto a discussão sobre os critérios da nova metodologia segue em aberto, uma coisa é certa: o custo do pedágio tende a subir nas rodovias que adotarem essa regra, especialmente para frotas com veículos de maior número de eixos, como bitrens e rodotrens. Isso reforça a importância de ter controle detalhado sobre quais rotas geram maior custo de pedágio e como esse custo se compara a rotas alternativas.
Com videotelemetria, é possível mapear com precisão os trajetos percorridos pela frota, identificar rotas com maior incidência de pedágio e cruzar esses dados com custo de combustível e tempo de viagem, permitindo decisões mais informadas sobre planejamento de rota em um cenário de custos rodoviários crescentes.




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