Plano CNT 2026 aponta necessidade de R$ 2 trilhões em infraestrutura de transporte
- Alisson de Freitas
- há 2 dias
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A Confederação Nacional do Transporte (CNT) lançou o "Plano CNT de Transporte e Logística 2026", um levantamento que mapeia 2.837 projetos prioritários e estima em R$ 2,03 trilhões o investimento necessário para superar os principais gargalos de infraestrutura do país. O documento será apresentado nos dias 18 e 19 de agosto, em Brasília, durante o Fórum CNT de Debates, junto com a publicação "O Transporte Move o Brasil", que será entregue aos candidatos à Presidência da República no mesmo evento.
Como está dividida a carteira de projetos
O plano organiza os projetos em duas frentes: 2.509 iniciativas de Integração Nacional, voltadas às grandes rotas que conectam regiões do país e países vizinhos, e 328 projetos de mobilidade urbana, focados no transporte de passageiros.
Por modal, o investimento total se distribui da seguinte forma: R$ 1,1 trilhão para o setor ferroviário, R$ 511,5 bilhões para o rodoviário, R$ 173,1 bilhões para o hidroviário, R$ 125,1 bilhões para infraestrutura portuária, R$ 36,9 bilhões para terminais, R$ 28,3 bilhões para aeroportos e R$ 7,5 bilhões para o modal aquaviário. Entre os projetos previstos estão 152 obras de duplicação de rodovias, somando quase 10,3 mil km e cerca de R$ 163,4 bilhões em investimentos.
O custo logístico que preocupa o setor
Um dos dados centrais do estudo é a evolução do custo logístico brasileiro: de 10,4% do PIB em 2014 para 15,5% em 2025. Segundo a CNT, esse cenário está diretamente relacionado à qualidade e à oferta da infraestrutura de transporte, o que evidencia ineficiências sistêmicas e reduz a competitividade do setor produtivo nacional.
O estudo também reforça um problema conhecido por quem opera transporte no Brasil: o desequilíbrio modal. O rodoviário responde por 65,8% da matriz de transportes do país, uma concentração bem acima da observada em economias de dimensão territorial semelhante, como a União Europeia (50%), os Estados Unidos (43%), a China (35%) e a Austrália (27%).
De acordo com estimativa do Banco Mundial, o Brasil deveria investir cerca de 3,7% do PIB por ano em infraestrutura de transporte para suprir suas lacunas estruturais. No entanto, na média dos últimos dez anos, esse percentual, considerando os aportes do Governo Federal, foi de apenas 0,15% ao ano.
Segurança, jornada de trabalho e transição energética
Além da infraestrutura física, o plano da CNT também aborda outras pautas relevantes para o setor. A entidade defende o fortalecimento da segurança pública para o transporte, com penas mais rígidas para roubo de cargas e reforço do policiamento em rodovias, ferrovias e hidrovias.
O documento também analisa o debate sobre o fim da escala 6x1, hoje em tramitação no Congresso. Segundo estudo técnico divulgado pela CNT, a mudança pode gerar um impacto de R$ 11,88 bilhões no setor de transporte no longo prazo, com alta de 8,6% nos custos com pessoal caso não haja ajuste proporcional de salários.
Já no campo energético, a CNT defende um processo de transição em etapas: no curto prazo, aposta em HVO e biometano; no médio prazo, vê a eletromobilidade como mais viável para o transporte urbano do que para longas distâncias; e no longo prazo, aposta no hidrogênio renovável como opção futura para a matriz energética do setor.

Por que esse cenário importa para quem gerencia frotas
Os números do Plano CNT 2026 confirmam algo que transportadoras já sentem no dia a dia: operar em um país com infraestrutura defasada e forte dependência rodoviária exige ainda mais precisão na gestão da frota. Quando rotas, pavimentação e conectividade entre modais não evoluem no ritmo necessário, o controle sobre o que está sob a responsabilidade da empresa, veículos, trajetos, consumo e segurança, se torna decisivo para manter a competitividade.
É nesse ponto que soluções de videotelemetria fazem diferença. Elas não resolvem os gargalos estruturais do país, mas dão à transportadora dados objetivos para tomar decisões melhores dentro do cenário que existe: rotas mais seguras, uso mais eficiente da frota e menos exposição a riscos operacionais, sempre com foco em segurança e eficiência, e não em vigilância sobre o motorista.
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